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Obrigado, Dormelindo

A Caetano, mais que centenária, é eterna Há amizades que só se desfazem com a morte. É o caso de parte de uma geração …

marioA Caetano, mais que centenária, é eterna

Há amizades que só se desfazem com a morte. É o caso de parte de uma geração que entre 1944 e 1950 estudou na Escola Caetano de Campos, na Praça da República, São Paulo, onde hoje funciona a Secretaria de Educação do Estado. Foram esses muitos e duradouros laços que se mobilizaram e não permitiram a demolição desse edifício, marco da educação oficial laica do Brasil.  Essas amizades que se insistem no tempo se reúnem uma vez por ano num jantar em São Paulo e têm um locutor fúnebre, Celso de Almeida Roberti, o Paissandu, que telefona aqui para Rio e avisa que fulano ou sicrano foi convocado para a chamada celeste. Enquanto não sou convocado, troco e-mails com Amadeu Amaral, Modesto Carvalhosa, Paissandu, Eusilles Costa Pastore (cuja residência até ele mudar-se para Serra Negra, SP, era o meu hotel paulistano), Diorandy Vianna, hoje mora em Rio Claro, mas foi meu seresteiro em noites da boemia na Paulicéia; Odete Vicente Faria, meu colega desde o curso primário, em cuja casa, no bairro da Aclimação, aprendi a andar de bicicleta e no carro do tio dele, oficial da Força Pública do Estado, íamos assistir ao programa de Homero Silva na Rádio Tupi onde Hebe Camargo, muito gostosa, iniciava sua carreira de cantora, Giotto, cujo primeiro nome esqueci, José Carlos Pellegrino, nadador do Tietê e da Caetano, o Gaminha e a Yara, há muito casados e felizes, e o Dormelindo, Luiz Fernando Di Verniere, marqueteiro que, hoje, mora em Campinas, onde nasci.

Pois é, finalmente alguém, solidário, responde à minha pergunta das duas colunas anteriores: de quem é a culpa pela atual megacrise econômica?

Dormelindo, em Campinas, acordou e mandou:

 

Meu querido Mario,

 

Aceitando o seu repto, mas com espírito vacilante – nunca se sabe o que vem atrás do pensamento de um gênio – vou titubear minhas respostas – uma só não dá:

  • A saída do Antônio Palocci do governo Lula deu início à “marolinha” que virou tsunami com a entrada do “Manteiga”;
  • Com os cofres abarrotados e o dinheiro voando em direção ao Brasil não se gastou um tostão em infraestrutura, o custo Brasil aumenta e sua competitividade cai;
  • Às condições sob as quais as licitações eram feitas (e o são até hoje) não premiam o capital, forçam apenas a estatização, a corrupção através dos apêndices aos contratos, costumeiramente chamados de ajustes (palavra, aliás, em voga);
  • A opção pelo poder contra a governança foi a assinatura de nosso Atestado de Óbito governamental e, “por via de consequência” (que horror), a causa mor de nossa macrocrise ou merda mesmo.

Caninha, tô com muita saudade de você. Nossa turma da Caetano de Campos vai sendo chamada aos Elíseos e ficam apenas aqueles com dificuldade de locomoção.

Tudo de bom procê, pra Aurea, filhos, netos etc. Estou amando suas recordações.

Um abraço de hoje pois minha amizade e admiração por você sobrepassam o tempo e a distância.

Luiz Fernando Di Vernieri

“O Dormelindo”

Pois é, vale a pena ter vivido tanto como eu, pois centenas de amizades a cada dia somam mais um dia de amizade. Aproveito o dia de hoje para agradecer a todas minhas amizades por me engrandecerem com elas.

Voltando a minha pergunta, Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy- Marta Suplicy –  paulistana, 70 anos, psicóloga, cuja vida pública teve início como sexóloga, na Rede Globo de Televisão, no programa TV Mulher (1980/1986), e se estendeu para a política: deputada federal, prefeita de São Paulo, ministra do Turismo, ministra da Cultura, atualmente é senadora, sem partido, pois há pouco saiu do PT. Marta foi sucinta quanto à culpabilidade pelo Inferno da cena brasileira neste segundo mandato da estelionatária eleitoral e declarou, pela imprensa, os nomes dos  que considera os delinquentes:

Dilma, Mantega e Mercadante.

Guido Mantega é genovês e tem ficha limpa na Itália.

Inté.

P.S Patricia@Golombek, caetanista de um tempo posteriori ao nosso escreveu um alentado livro sobre a Caetano e suas múltiplas gerações, sem ainda data de lançamento. Quando for lançar, aviso.

Autor

Mario de Almeida

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