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Os novos fenômenos na pré-campanha do RS

Por Elis Radmann

O primeiro movimento do eleitor quando pensa em eleição para o governo do RS é avaliar o desempenho do governador, pensar se quer manter as políticas que estão em curso. A racionalidade diz que, se um governo vai bem, maior é a tendência do voto de continuidade, de manter no jogo o time que está ganhando.

Normalmente essa reflexão ocorre de forma natural, com a tendência de reeleição de um governador. Funciona mais ou menos da seguinte forma: os meios de comunicação começam a dizer que o governador vai concorrer a um segundo mandato e os eleitores passam a trocar ideia e reavaliar a possibilidade de manter o governante ou passam a dar atenção a um candidato que represente a mudança, seja da base governista ou de oposição.

Nessa eleição estamos vivendo um momento ímpar desde a instituição da reeleição. Quando o governador Eduardo Leite se mostrou contra a reeleição, a tendência de debate sobre a continuidade foi quebrada, tirando a perenidade da continuidade da agenda. Tal situação criou o fenômeno da descontinuidade da reeleição. Paralelamente o Governador não estimulou o debate em torno de um candidato nato, de um nome que representasse a sua continuidade, o seu projeto político.

O fenômeno da descontinuidade da reeleição do Governador teve sua agenda enfraquecida por um segundo fenômeno, que foi a do alinhamento natural do eleitor gaúcho com os candidatos que representam a polarização e radicalização política nacional. As pesquisas eleitorais sinalizam a admissibilidade de uma eleição plebiscitária entre Lula e Bolsonaro, que juntos somam 70% das intenções de voto.

Nesse momento, quando o eleitor gaúcho é estimulado a pensar a quem irá destinar o seu voto, não está dando atenção à agenda da continuidade. É comum questionar ao entrevistador sobre o candidato a governador que está associado ao ex-presidente Lula ou ao presidente Bolsonaro. 

O eleitor está mais interessado em fazer um voto de alinhamento natural com o candidato a presidente do que pensar na agenda local, de continuidade ou mudança. Esse alinhamento natural motiva o voto casado, tentando construir um time em torno de uma tese programática ou ideológica.

Esse contexto também está sofrendo muita influência da agenda econômica nacional. Para os eleitores é vital a discussão sobre os rumos da política econômica de combate à inflação e ao desemprego. A maior parte da população está sofrendo com as perdas financeiras impostas pelas medidas restritivas da pandemia e mostram indignação com a crescente diminuição do seu poder de compra.

Sinalizam que a principal prioridade para o próximo governo do RS está associada a um projeto de desenvolvimento econômico que leve o Estado para um novo estágio de crescimento e de superação efetiva do déficit financeiro.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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