A cada dia que passa fico mais distante do meu nascimento.
(M.A.)
O jornalista e colunista de O Globo Zuenir Ventura escreveu que, indo buscar a neta Alice na creche, surpreendeu-se vendo a menina beijar na boca um colega da mesma idade, menos de três anos. E mais não escreveu, pois enquadrou-se como um avô moderno e nada comentou com a neta, inda que se confessasse preocupado, por não saber qual a intenção do moço…
Há muito venho observando bebês e crianças bem pequenas e sinto alguns sinais de precocidade, ou melhor, de comportamento mais avançado que em décadas atrás.
Comecei a perceber que é muito comum, quando você passa por um carrinho de bebê, que o mesmo o acompanhe num autêntico aprendizado visual. Percebi, também, nas festas infantis, o alto grau de independência e sociabilidade das crianças que mal aprenderam a andar e se integram, sem mediação de adultos, nos grupos infantis.
Quando nasceu, há 11 anos, nossa neta Júlia, ainda no quarto da mãe, Carla, comentei com Aurea, a avó, que Júlia nascera com muitos cabelos, diferentemente das minhas lembranças de recém-nascidos, todos carecas. Na saída da maternidade, fomos até o berçário para mais um minuto de curtição e entre muitos bebês, nenhum careca! A genética também participa dessa aceleração.
Semana passada, recebi de minha filha Rachel, tia da Júlia, o seguinte e-mail: “No Rio, o Instituto Lecca, uma das ONGs brasileiras especializadas em ajudar a expansão desses pequenos gênios, conseguiu 17 aprovações de 24 inscritos no processo de admissão para o Colégio Pedro II. O instituto testa, todos os anos, em torno de três mil crianças de 50 escolas da rede municipal de ensino para selecionar apenas as 24 com maior potencial.
Para a professora Maria Clara Sodré, doutora em educação especial pela Columbia University, de Nova York, e diretora do Instituto Lecca, encontrar uma criança superdotada é tão importante quanto descobrir um poço de petróleo ou uma mina de diamante.
– Nossos resultados são ótimos: 90% dos alunos que prestaram prova para o Colégio Pedro II foram aprovados. O 1º, o 2º e o 3º lugares foram nossos – comemora a professora.”
A JÚLIA FOI A QUARTA COLOCADA!!!!!!!!!!!!!! Sem cursinhos e sem ser superdotada (apesar de eu achá-la super-super-tudo-de-bom! ) Rachel.
À surpresa da Rachel juntou-se a minha, pois, apesar de achar a minha neta precoce, achava ser uma corujice típica dos avós. Lembrei-me, porém, que já contei aqui haver flagrado a neta, então com sete anos, ensinando um garoto de três anos a escrever, no computador, Jujureba, que é o e-mail dela. Qual dos dois é o mais precoce, ou precoce é o mundo de hoje?
Júlia não tinha dois anos quando, na nossa casa, me vendo sair e voltar imediatamente, perguntou, de bate-pronto:
– Esqueceu o quê?
Júlia com seis anos, em Londres, acompanhando um master da mãe em Jornalismo, alfabetizou-se, simultaneamente, em Português e Inglês.
Contou-me a avó que, aos sete anos, participando de um evento infantil num shopping, ela cantou os muitos versos da música sucesso dos Beatles, Yellow Submarine:
In the town where I was born
Lived a man who sailed to sea
And he told us of his life
In the land of submarines…
Eu que nunca fui pré e nem pós-dotado e sou, apenas, um mal datado, com inveja dessa velocidade toda, decidi:
Vou nascer de novo.
Inté.
Vitrine:
Jovem Mario, boa tarde. Obrigado. Moisés Andrade, arquiteto, Olinda/Recife
Mario, Sua coluna de hoje está ótima. Aleluia! Gilberto (Ramos), administrador de empresa, Rio
Mário, excelente o teu “De tudo fica muito”. Grande homenagem, não só à ironia e ao humor, mas também à percepção do que é vida. Aquele “viver ou durar”, do Padre Vieira, veio a calhar. O abraço de sempre, Flávio (Tavares), escritor e jornalista, Búzios
… gentileza faz parte de teu ser. Como parte de teu ser foi também a última coluna, um torrente de bons pensamentos. Há frases para arquivar. Mas aí, falta o maldito tempo para comentá-las, pois exigem reflexão, o que já é qualidade do autor. Viste como já uso melhor o computador? A gente evolui, cara, até mesmo down south. Bj, Vera (Verissimo), psicóloga, Porto Alegre
Mario, encontrei “De Tudo Fica Muito” no lixo… eletrônico, bem entendido. Naquela caixa onde — com a suposta melhor das intenções –, o Outlook descarrega emails bandidos e, equivocadamente, emails mocinhos. Enfim, resgatada a coluna, pude saborear as ótimas tiradas do Barão de Itararé, do Chico Anysio, do Millôr, do Stanislaw. Mas senti falta da mais oportuna de todas, daquela que ora é atribuída a Apparício Torelli, ora ao Sérgio Porto: “Restaure-se a moralidade, ou locupletem-se todos.” Quem sabe, V. descobre e autentica a paternidade dessa frase, a cada dia, infelizmente, mais atual? Abraço grande, Rodrigo (Menezes), publicitário, São Paulo
Rodrigo, não coloquei a frase do Stanislaw – é dele mesmo e não do Barão – por dois motivos principais: acho que no Brasil, a moralidade só será parcialmente instaurada – e nunca reinstaurada – se houver a pena de morte; todos que podiam se locupletar já se fartaram de locupletar. Collor e Renan na CPI do Demóstenes? Advogados de defesa?
Abração. (M.A.)

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