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Pena branca

Segunda-feira, setembro de 1968. Chego cedo, como sempre, para trabalhar na Standard Propaganda, e a telefonista me avisa que o “Seu” Cícero (Cícero Leuenroth, …

Segunda-feira, setembro de 1968.

Chego cedo, como sempre, para trabalhar na Standard Propaganda, e a telefonista me avisa que o “Seu” Cícero (Cícero Leuenroth, dono da agência) está me esperando na sala dele.

Lá estavam, além dele, Guilherme Vasconcelos,o Superintendente Nacional e João Carlos Magaldi, o Gerente Rio.

Levei um susto, pois o staff maior da agência reunido naquela hora da manhã de uma segunda-feira só poderia ser assunto grave e urgente. Era.

Missão: ir para Belo Horizonte em seguida, escolher um layoutman para me acompanhar e fazer, a jato, uma campanha para o segundo aniversário do Governo do Estado chefiado por Israel Pinheiro, o “capataz de Brasília”.

Não era uma campanha “para ontem”, mas para o final da tarde da quinta-feira próxima.

Informações? Nenhuma, exceto uma matéria paga na revista Manchete que esboçava alguns projetos inda em realização.

Indiquei Waldo Melo para ser meu companheiro na verdadeira “mensagem a Garcia”, um contínuo saiu para minha casa em busca de uma mala de roupas e utensílios solicitados por telefone, despachei minhas pendências de trabalho mais urgentes e no primeiro voo possível despachei-me para Belo Horizonte.

Recebido na capital mineira por Norman Kutova, gerente da nossa filial naquele estado, tomamos as primeiras providências para dar início à campanha, criada sob sigilo em outro local que não a agência – se a concorrência soubesse do privilégio concedido à Standard, o jogo melava – e começamos a juntar informações para a escolha do tema, que foi jogar tudo para o futuro, ou seja, para os projetos em criação ou em andamento.

Dia seguinte, por telefone, foi encomendado um jingle para Miguel Gustavo, o “papa” do assunto (dois anos depois, ele criaria o Hino da Seleção da Copa de 1970: “Noventa milhões em ação/Pra frente Brasil/Do meu coração…”).

Waldo e eu varamos as madrugadas e, na quinta de manhã, transformamos todo o material gráfico em slides, gravamos os textos dos anúncios com um locutor local e recebemos, via malote, a fita do jingle já gravado.

Fim de tarde, montado o show no auditório do Palácio da Liberdade, os secretários de Estado foram se instalando e, com a chegada do Governador, Norman Kutova me apresentou como um publicitário paulista radicado no Rio e passou-me a palavra.

Levantei-me e expliquei que, face à dificuldade de fazer uma apresentação coletiva, iríamos fazer uma exibição de slides com textos em áudio, motivo pelo qual, por questão técnica, não poderia responder a perguntas antes do final, para o que estaríamos às ordens.

Ao final, com a audição do aplaudido jingle da campanha, coloquei-me à disposição e fui interrompido pelo Governador:

– Meu jovem, sem ser domingo próximo, o segundo aniversário do nosso governo cai no outro domingo. Dá para lançar a campanha naquele dia?

– Senhor Governador, na minha condição de paulista, confesso que nunca ouvi um mineiro dizer tão depressa que gostou de algo. Sim, no outro domingo, lançamos a campanha.

Como num passe de mágica, surgiram os garçons e o uísque e canapés começaram a ser servidos.

Dia seguinte, já na Standard Rio, final da tarde, mais uísque e canapés brindaram a segunda vez que ganhei a “Pena Branca” (apelido do Cícero), uma pequena condecoração de prata dada a quem, pelo trabalho, a merecesse.

Ao recebê-la, disse que a metade dela estava à disposição do Waldo Melo, meu companheiro de jornada.

Inté.

 

Vitrine (Comentários do leitor sobre coluna anterior)

 

bem… agora foram os vestígios daí, na tua caminhada. E deixas rastros deliciosos, para quem vai até a beira desse mar, que o Antonio Machado nos ensinou a cultuar. Que bom que tiveste um aniversário como minha filha disse depois da festa dos 4 anos: que bom que nasci no dia do meu aniversário. Beijo, Vera Verissimo, Porto Alegre 

 

Adorei!! Parabéns atrasados!!! Me deixa colocar nas Histórias Caetanistas do site? Se você era da turma dos Shmox (idish puro!), estudou com o neto do Firmino de Proença, cujo sobrenome era Diniz. A filha dele é minha amiga. Beijos. Patrícia Golombek, São Paulo

 

Jovem Mario, mais esta vez obrigado. Moisés Andrade, Olinda/Recife

 

Querido Mario, é profundamente prazeroso ler tua coluna e apreciar os assuntos que nela abordas. Tua memória é realmente prodigiosa, meus parabéns.  Desejo-te mil felicidades pelo teu aniversário. Beijos afetuosos da Zoravia (Bettiol), Porto Alegre

 

“Se faz caminho ao andar

ao andar se faz caminho.”

Adorei isto amigo. Beijokas, Claudia Almeida, Rio

 

Mario, viva! Me passa a data do seu advento. Absurdo esse meu vacilo, todavia 81 dura mais de 300 dias, o suficiente para um desfile de festas. Até breve e 81 parabéns. Abração, Léo (Christiano), Rio.

Autor

Mario de Almeida

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