Se quiser ser aplaudido, entre para o PT e seja preso.
M.A.
Não sei se estou pondo pra fora ou realimentando minha memória, mas inda que não haja recebido uma única resposta para minha pergunta “[email protected]: de quem é a culpa pela atual megacrise econômica?” acho que muita gente tá achando que a resposta é como se fosse voto secreto. Ou apenas é preguiça ou é tão óbvio que nem vale a pena? “Ei você aí” – antigo bordão de Renato Aragão – nada de resposta? Voltando ao que ando escrevendo, tenho tanta coisa vivida que sempre vale a pena desintoxicar a memória deste mundão de lembranças.
Você, ou tu sabes que quem nasce em Salvador, Bahia, é soteropolitano? Eu, até saber, não sabia. Mas de tanto perguntar a um local, “como vai?” e ouvir como resposta – “Mais ou menos”, resolvi perguntar ao meu cliente e amigo Pedro Manso Cabral, soteropolitano, o motivo dessa resposta pessimista e ouvi: – Pessimista? Eu sempre pensei que fosse otimista. Pedro era deputado federal pela Bahia na Ditadura e renunciou: – “Não nasci para ser vaca de presépio”. Certa vez, Pedro ia para o exterior com a mulher e passou em casa, no Rio, para saber quem matou quem numa telenovela já nos capítulos finais. Eu trabalhava na Globo e não sabia, nem quem tinha sido morto, numa época em que o último capítulo de telenovela global atingia mais que 90% de audiência. Num seminário de criatividade, em Serra Negra, São Paulo, face a uma colocação minha, um participante comentou: – Eu não sabia que há inteligência na Globo.
Por falar em Globo, vai aí um suposto memorando do Diretor Geral, Walter Clark, para Boni, depois vice-presidente: “Junte o pessoal criativo e descubra uma maneira de acabar com as “chacretes” e similares, pois não aguento mais ver um monte de moças dançando não sei o que e nem por quê. Cansei!” Infelizmente, para a minha beleza, falso e as meninas, feitas bocós, continuam dançando no fundo de shows.
Fiz não sei quantos discursos para o Walter Clark, mas os dois primeiros foram para receber os títulos de cidadão sergipano e cidadão aracajuano, estado e capital que ele e eu não conhecíamos. Anos depois, eu, na Fundação Roberto Marinho, fui convidado, mais a mulher, pela Secretaria de Cultura de Sergipe, para um evento cultural na antiga e histórica capital do estado, São Cristóvão. Parece que eles sabiam da minha coleção de antigas e históricas cidades brasileiras e lá, em Sergipe, além de São Cristóvão, está também a cidade de Laranjeiras. Matei duas coelhas de uma só cajadada.
O secretário de Cultura de Sergipe, sabedor de meu interesse por cidades históricas e sabedor que minha viagem terminaria em Maceió, fez-me um convite indecoroso: – Mario, jogue fora sua passagem de voo para Maceió, embarque num carro do nosso Estado, com motorista, atravesse o São Francisco, desembarque já nas Alagoas, na cidade histórica de Penedo, depois siga para outra – Marechal Deodoro – cidade natal do próprio, e já em Maceió, termine seu périplo. E lá fui eu, para o município de Propriá, onde, em balsa, atravessei o Véio Chico, cuja transposição consta, junto com a capital federal no centro do país, em nossa primeira constituição. Brasília está lá e o São Francisco vai, de obras em obras, tentando cumprir a promessa de, finalmente, terminar em 2017. Antes de viajar, tentei reservar lugar no Jatiuca Resorts, recém-lançado em Maceió que andava bombando. Lotado. Lembrei-me que Wilson Emanuel, amizade forte sacramentada na Globo do Recife, tinha tido seu passe comprado pela TV Gazeta de Alagoas, propriedade dos irmãos Collor. No “pacote” madame Wilson ganhou o cargo de professora municipal, cujo prefeito era o Fernando Collor de Mello, irmão de Pedro, que dirigia a TV da família e acabou, mais tarde, alcaguetando o irmão. Em Maceió, Aurea e eu passeamos de jangada e encerramos uma viagem de lua de mel, pois havíamos – Aurea e eu – resolvido colocar a união na certidão de um cartório, já que tínhamos duas filhas, uma relação que prossegue até hoje e sexta-feira passada comemorou o Dia dos Namorados.
Geografia: Há pessoas que me pensam gaúcho, outras carioca e muitas paulista, como de fato sou. Hoje coloco os pingos nos “i e nos “j”. Nasci no inverno de Campinas, SP, provalmente numa manhã de ventos frios. Quando o garoto aqui fez cinco anos, teve, com sua família, num tempo em que não havia CEP, seu endereço promovido para o Centro da capital paulista. Como paulistano, cresci, estudei, namorei e, em 1955, resolvido a fazer teatro, mudei-me, com pouca bagagem e muita garra para o Rio de Janeiro, onde estivera por duas vezes e, na segunda, estudante, batera um papo com Getúlio, presidente eleito, na varanda do Palácio do Catete. Ao estrear como profissional de teatro, na condição de ator e assistente de direção, na peça Vestido de Noiva, fiquei amigo do seu autor, Nelson Rodrigues, que me brindava, em todas as sessões, com sua presença no meu camarim. Só muito tempo depois descobri o motivo dessa assiduidade ao espetáculo: Nelson era amante de Leonor Bruno, mãe da Nicette e uma coroa muito enxuta. Terminada a temporada, fui para o subúrbio carioca, Campo Grande, dirigir espetáculos para o Teatro Rural do Estudante, subvencionado pela prefeitura do então Distrito Federal. Dois anos depois, o Teatro Rural, inscrito num Festival promovido pela atriz e empresária Dulcina de Moraes, no Rio, subiu ao pódio como terceiro colocado e encontrei Antonio Abujamra, conhecido na Biblioteca Municipal de São Paulo, um paulista que morava com um tio em Porto Alegre, dirigia lá o Teatro Universitário e apresentava no Festival A Margem da Vida, de Tenesse Wiliams. Abu, amigo de toda a vida, que se foi este ano, convidou-me para dirigir uma peça. Em abril de 1957, eu estreava como diretor nos pampas e, no teatro e no jornal, foram sete anos de bombacha, traje que troquei fugindo da Ditadura que colocou gente no pau de arara para dizer onde eu estava. Cheguei vivo em São Paulo onde meu amigo-irmão, Luiz Celso Piratininga Figueiredo, me ensinou propaganda. 1965: percebi que a minha São Paulo não era mais a cidade que amei e me mandei para o Rio, pois o meu sonho existencial estava longe de ser dinheiro, status ou outros valores que não me dizem respeito. Nesses meus 50 anos de carioca, em dois deles tive muitos negócios na Bahia e, durante seis meses, morei em Salvador, implantando a filial da Standand Propaganda, onde trabalhei meia década. Essa agência, a Rede Globo, a Fundação Roberto Marinho e o turismo fizeram-me conhecedor dos nossos rincões onde comer bem em Manaus, por exemplo, era na zona dos puteiros.
Inté.
P.S.1 O Jatiuca Resorts era muito bom e devo aquela hospedagem ao Fernando Collor, que não conheço, mas conheci o irmão Pedro e fui colega do outro, Leopoldo, na Globo Rio.
P.S.2 Tenho vergonha de dizer que sou compatriota de Dilma, pelo silêncio brasileiro em relação ao nojento governo da Venezuela.

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