Estou impressionado com a quantidade de mulheres sozinhas na minha rua. Em geral estão na faixa entre 40 e 45, às vezes um pouco mais, um pouco menos. Todas com seus dógs pela coleira e algumas passeiam fumando, se encontram e batem papo enquanto os cachorros fazem seus rituais. Podia ser que só as mulheres descessem dos apartamentos para fazer os bichos caminharem, os homens se recusaram e ficaram em casa. Mas com o passar do tempo me dei conta que são mulheres solitárias. Muitas lindas, de boa posição social. Alguma coisa assombrou essas mulheres na convivência com os homens. Elas renunciaram. Não me parecem amargas ou infelizes, parecem em paz, ou talvez fechadas para balanço. Muitas vezes as mulheres entendem estarem felizes por terem se livrado do mala, do galocha, do autoritário.
A verdade é que, se depender de algum processo evolutivo, com algumas exceções, os homens serão varridos da face da terra, como os dinossauros. Não porque sejam grandes e inviáveis, mas porque estão ficando obsoletos numa velocidade espantosa, comparados com as mulheres. Não sei, mas é difícil encontrar um adjetivo de qualificação mais pertinente que bundão para identificar esse homem atual. Bundão entra nele como uma luva.
Pô, mas ela não viu que o cérebro de algodão molhado era um bundão quando quis se casar com ele? Viu, mas não viu, porque a maternidade delas é acolhedora e generosa, e depois, o cara era boa pinta, ganhador de dinheiro, e, claro, as paixões foram inventadas para cegar as pessoas a fim de fazê-las casar e terem filhos. Filhos: esta é a ordem que elas recebem e, se preciso for, vão para o sacrifício, vão para a zona do agrião.
Quem é este bundão? O fofo geralmente é torcedor fanático, adora andar com homens (em grupos, como os adolescentes) e se mata trabalhando para comprar o carro da moda. O carro é a vida do bundão. Às vezes a mulher do bundão é uma bundona, como ele. Ela tem um ar de quem cheirou alguma coisa ruim quando nasceu (quase que eu disse cocô) e uma simpatia profissional, dotada de sorriso automático. Os filhos do bundão são histéricos e agressivos, e eles acham graça e gostam que sejam assim. A juventude do bundão mascara a sua identidade verdadeira.
É beirando os 40 que todo o seu potencial bundão aflora e entra em atividade, como o Vesúvio. Daí em diante ele despeja em cima de todos o máximo de mal estar, grosseria, inadequação e suas práticas bulling, mascaradas de “brincadeiras”. É nesta idade que ele leva o pé na bunda. Rá rá rá, bem feito. Se fosse um intelectual se mudaria para o bar, para ficar na companhia dos amigos. Mas o Bundão é um forte, e autossustentável: ele faz pipoca e aluga um monte de filmes pornográficos. Pronto, depois é só pegar o ursinho de pelúcia e dormir feliz.

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