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Qual a parte que falta?

Por Flavio Paiva

Transcorridos já não sei mais quantos dias de quarentena, isolamento, distanciamento, idas e vindas, aberturas e fechaduras, parei pra pensar em qual a parte que faz falta, que faz mais falta. Claro que não é uma resposta simples de ser dada, pois  questões complexas requerem respostas complexas.

Aqui, me detenho mais na perspectiva humana, subjetiva de cada um. Acho que a falta campeã (e, por favor, de forma alguma estou subestimando a falta de trabalho, mas como eu disse, estou pensando na subjetividade e na parte da população que está conseguindo se manter) é a falta do outro, da convivência, do encontro. Tanto assim que são incontáveis #tbts, alguns até já fora da quinta-feira, de pessoas reunidas, confraternizando em momentos que até bem pouco tempo atrás eram não só possíveis como naturais. Porque a tecnologia, a virtualidade é maravilhosa, mas nem de perto ela substitui o contato direto humano. 

A segunda falta acredito que seja a de uma certeza, ou prazo. Certeza de exatamente quando será descoberta e disseminada a vacina contra a Covid-19. Ou, o que dá quase no mesmo, um prazo para que essa etapa (não sei que tamanho terá) de restrições gerais, tanto de trabalho, pessoas, ocasiões, eventos. Caso tivéssemos uma certeza (sei que hoje é uma verdadeira quimera) de exatamente quando isso passaria, nem falando em voltar ao normal ou chegar em uma nova realidade, isso seria um alento e tanto. Seria o verdadeiro bálsamo para as pessoas, que (como já foi dito por várias pessoas) estariam numa corrida mas saberiam o quanto de energia precisariam dosar, pois saberiam quanto falta para chegarmos à linha final.

Outra falta é a de situações que demandavam concentração de pessoas. Como shows, cinemas, jogos de futebol, bares para happy hour ou almoços/jantares, circulação tranquila em aviões e transportes em geral. Até, se formos aproveitar a frente fria que está sobre o Rio Grande do Sul, chegarmos em um restaurante em um dia frio e ele estar aquecido, aconchegante. Quem consegue imaginar isso e se sentir seguro? Mas que faz (para mim, com certeza) falta, faz. Ou ainda eu, como muitos, apreciador de cafés (não só a bebida, mas os estabelecimentos), que em geral não são ambientes gigantescos, ao contrário. Tinham aconchego no seu menu. Claro que muitos seguem mantendo, mas com a necessidade de janelas e portas abertas, o que a 8 graus não é tão confortável.

Mais uma falta é a da prática de esportes tanto em academias, piscinas, etc, quanto ao ar livre mas sem a obrigatoriedade do uso de máscaras. O organismo precisa de atividade, além de precisarmos demais (ainda mais nessa fase atual) de endorfina. As pessoas estão se virando, exercícios em casa, caminhadas e corridas de máscara? Sim, estão, mas claro que não é nem de longe a mesma coisa. 

Também faz falta uma redução de níveis de preocupação, ansiedade, depressão, cada pessoa está sentindo de uma forma. Sentimentos como esse andam em alta. Aos mais resilientes, está sendo um pouco menos difícil suportar todos esses acontecimentos, mas igualmente estão sentindo, como sei por depoimentos de várias pessoas. Consumo de medicamentos para essas finalidades, bem como de bebida alcoólica tiveram um acréscimo quase óbvio. Longe de ser certo ou justificado, existem comportamentos nos seres humanos que não se alteram muito, se estudarmos as grandes crises ao longo da história.

Sim, caro leitor, esta coluna talvez não tenha sido a favor de sugerir soluções, mas aqui falta espaço nesse momento. A próxima coluna será dedicada às soluções ou atenuantes para todas essas faltas que levantei aqui. E peço que, ainda no capítulo faltas, quem souber identificar outras faltas importantes (ou mesmo que não o sejam), peço que me enviem por email [email protected]. Sigamos o mais equilibrados, firmes e fortes. Calma antes de tudo, muita meditação, conexão com o essencial. Aguardo seus comentários.

 

Autor

Flavio Paiva

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