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Quase verdade

Todo mundo me acha debochado, debochada é a realidade M.A. Tenho acompanhado, como a maioria, a discussão, pela imprensa, dos direitos de publicação de …

Todo mundo me acha debochado, debochada é a realidade

M.A.

Tenho acompanhado, como a maioria, a discussão, pela imprensa, dos direitos de publicação de biografias, autorizadas ou não. De um lado, os que se batem pelo direito de expressão e, de outro, os que defendem o direito à privacidade. 

Acho que ambos os lados têm razão e há necessidade de uma lei que proteja, de forma objetiva e rápida, os direitos de defender não só a honra e a dignidade do biografado, mas o factual, ou seja, que a biografia represente a verdade, ou seja, tão somente a verdade, não somente quanto ao biografado, mas quanto a todos citados na biografia.

Meu primeiro artigo aqui em Coletiva, há dez anos, referia-se ao obituário do jornalista Ary Carvalho, todos com o mesmo erro – sem maior importância –, mas denunciando que a fonte dos jornalistas foi a mesma, ou seja, aquela que disseminava o erro original.

Isso significa que só a imprensa, em muitos casos, não merece credibilidade como fonte de um biógrafo. Aliás, sou testemunha de dezenas de erros relacionados a pessoas com que convivi e cujos obituários eram uma superposição de equívocos. Os obituários, às vezes, dão de presente uma outra vida ao defunto…

Eu sofri, na qualidade de ex-amigo do então falecido Irineu Garcia, por haver lido, em Chega de saudade, do quase sempre competente Ruy Castro, uma quase caricatura do Irineu. Semana passada publiquei aqui: “Em Chega de saudade, o Ruy Castro fez um retrato pequeno do Irineu. Precisamos mostrar o Irineu no seu tamanho original. Aliás – disse –, a gente precisa registrar tudo para que não se repita o que aconteceu com… aquele que foi amigo de uma geração toda, mas de quem se sabe muito pouco… (branco total no nome do personagem)… como era o nome dele? O personagem em questão era o Jayme Ovalle, cuja vida e obra foram totalmente desvendadas, em 2008, por Humberto Werneck no livro Santo Sujo.

Quanto a Irineu Garcia, paulista da cidade de Mococa, jornalista radicado no Rio e depois autoexilado da ditadura em Lisboa, foi o criador do selo Festa, fértil produtora de discos de interesse artístico, ausentes do mercado comercial, com gravações de poetas dizendo seus versos, como Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e – incrível – Pablo Neruda também por ele mesmo. Na voz principal de Paulo Autran, com música de Tom Jobim, Irineu produziu O Pequeno Príncipe, de Saint Exupéry.”

Irineu, de acordo com Ruy Castro, foi um mundano sem maiores virtudes e quem leu Chega de Saudade, mas conheceu Irineu, sabe que isso não é verdade e que ele morreu antes de tomar posse num cargo da Funarte. Por estar morto e sem descendência, Irineu passou à história como uma caricatura.

Dou um conselho a esses artistas preocupados em serem biografados por autores não conceituados na atividade: escrevam suas autobiografias sozinhos ou em parceria, “queimando” o produto como interesse comercial.

Confissão: Estou tão velho que Eduardo, meu irmão caçula, se queixa da nossa diferença de idade.

Inté.

Vitrine (Correio virtual sobre a coluna anterior)

Ao pé da coluna, Carlos E. F. Cunha, de Santo Amaro da Imperatriz/SC, escreveu:

Um cavalheiro – “Querido Tio. Se envelhecer resulta nas experiências e sabores que viveu e compartilha conosco, fico bem mais tranquilo. O carinho que permeia suas crônicas, resgatando histórias e homenageando os Velhos Amigos, certamente decorre da sabedoria que só a vida (bem vivida) nos traz. Forte abraço, e Viva!”

Mano, pare de se chamar de velho. Você é um menino apenas 4 anos  e meio mais velho do que eu. Mas tua cabeça é jovem e brilhante. Inté. Coelho (Eduardo Coelho Pinto de Almeida), São Paulo

Jovem Mário, bom dia! … o francês diz que um dito tem 33 versões. Adianto uma dessas sobre ‘merde’. No passado, ao espetáculo teatral acorria público que chegava em carruagens. Em esperando, os cavalos obravam! Assim é que diante do teatro pouca merda significava casa vazia e muita merda significava sucesso de público!!! … Et pourtant, merda a vous !!! Moisés Andrade, Olinda/Recife

Mario, viva! Vamos todos à posse do Torres. Garanto que será das mais alegres, na história daquela Casa. Um grande e caloroso encontro de velhos amigos. Agora morando em Itaipava, Antonio Torres e Sonia, depois de proclamada a eleição, receberam mil e um cumprimentos no belo apartamento do Dr. Alexandre Kathalian, em Botafogo. Uma prévia do que será a festa universal da fraternidade em torno do nosso Torres. E tudo já marcado para depois do Carnaval de 2014. Até março ou abril, haja fôlego! Abração, Léo Christiano, Rio.

Oi, Mario, você citou o Fausto Wolff e, coincidentemente, estou lendo seu (dele, rsrs) livro “ABC do FAUSTO WOLFF”. Aliás, guardo vários recortes de suas crônicas publicadas no finado JB. Abração do amigo e vizinho Wanderley, Rio

Autor

Mario de Almeida

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