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Que o pavilhão se lave…

Existe um povo que a bandeira empresta Pr’a cobrir tanta infâmia e cobardia!… E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!… …

Existe um povo que a bandeira empresta

Pr’a cobrir tanta infâmia e cobardia!…

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!…

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?!…

Silêncio!… Musa! chora, chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto…

(Navio Negreiro Castro Alves)

Meu amigo e editor, Léo Christiano, comentando minha última coluna e referindo-se a um dos mais conhecidos versos de Antonio Castro Alves (1847-1871), “A praça é do povo…”, lembrou-me que poucos poetas de sua estatura expressaram sua indignação para com os grandes problemas sociais de seu tempo. Castro Alves colocou sua pena a serviço dos movimentos abolicionista e republicano.

Baiano, amante e poeta precoce e ativo, parte de sua obra, dedicada ao amor, tem a mesma qualidade de sua voz libertária.

O poeta é o patrono da cadeira número 7 da Academia Brasileira de Letras, e sua estátua está na praça do povo que, hoje, em Salvador, é a Praça Castro Alves.

O poema a que Léo se referiu serve aos protestos populares de hoje:

A Praça

A praça é do povo

como o céu é do condor.

É o antro onde a liberdade

cria águias em seu calor.

Senhor, pois quereis a praça?

Desgraçada a população!

Só tem a rua de seu…

Ninguém vos rouba os castelos,

Tende palácios tão belos…

Deixai a terra ao Anteu. *

Mas embalde…  que o direito

Não é pasto de punhal

Nem a patas de cavalo

Se faz um crime legal…

Ah! não há muitos setembros!

Da plebe doem-se os membros

No chicote do poder,

E o momento é malfadado

Quando o povo ensanguentado

Diz: já não posso sofrer.

* Figura mitológica de muita força que não podia ser erguida do chão, sob pena de morrer (M.A.)

“Quando o povo ensanguentado                  

Diz: já não posso sofrer.”

Inté.

Vitrine (Comentários sobre a coluna anterior)

Ao pé da coluna, Luiz Fernando Di Vernieri, de Campinas, SP, manda:

“Números – Mario querido, e se não tivéssemos o encantado pré-sal, o que ocorreria com a educação no Brasil? Até que as receitas da exploração comecem a produzir reais, dólares ou euros, ficamos com o mesmo piso salarial para os professores e aumentamos anualmente o déficit de professores. E as escolas para abrigar os alunos? Faz-me lembrar a falta de médicos em locais mais inóspitos do país. A questão não é médico, é infraestrutura, mal semelhante ao que assola a educação. “

Rodrigo de Sá Menezes, de São Paulo, colocou a coluna no twitter.

Ulrich Aguiar, de Fortaleza, colocou a coluna no facebook: “Mais alguns dados vindos do grande Mario de Almeida. Merece ser lido. Adorei a quebra do jejum, tio.”

Bons números, esses da coluna. E a questão dos turistas da Copa das Confederações também, mas acho que tem uma razão simples, é possível assistir na TV, o que reduz a necessidade de ir. Turista é turista para tudo. É uma competição interessante, mas longe de atrair como na Copa do Mundo. Viste uma coluna do Luiz Fernando Verissimo chamada Tia Fifa? Fantástica. Saíram as perguntas propostas para o plebiscito, é como já ouvi num programa, uma cortina de fumaça. Não é reforma política, só alguns quesitos e sobre a eleição. Sobre esta, o que tem que se perguntar é sobre a possibilidade do fim da reeleição. Essa é uma boa solução. Tenho receio em que vai dar tudo isso. Bj, V. (Vera Verissimo), Porto Alegre

Prezado Mario, como se faz para reduzir o número de ministérios para apenas seis ou sete? O número de senadores para um por Estado, o de deputados federais para um quarto dos atuais e o dos vereadores proporcional ao número de habitantes de cada cidade, não podendo exceder de 5 a 20? Atualmente, há um excesso de políticos para tão pouca produtividade e eficiência  E muita gastança sem nenhum ou pouquíssimo retorno. É esse o verdadeiro eco das ruas. Abs, José Carlos Pellegrino, São Paulo

Acorda, Bebedouro ! Mario, que maravilha, até Bebedouro ! E só gatinhas! A esta bela juventude só faltava mesmo a emoção do protesto. “A praça é do povo como o céu é do condor”… Castro Alves sabia inflamar sua gente. Nem toda água de Bebedouro apagará este fogo. Abração, Léo (Christiano), Rio

Autor

Mario de Almeida

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