Colunas

Refúgios

Por José Antônio Moraes de Oliveira

“O primeiro drinque da noite em

um bar tranquilo – não existe nada igual.”

Raymond Chandler.

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É preciso mais do que uma visita ocasional a um bar de Manhattan para entender a paixão dos nova iorquinos por bares e tavernas. Eles dizem que tudo começou quando os trens saiam superlotados da Grand Central entre 5 e 6 horas da tarde. Para ganhar tempo, os executivos iam dos escritórios para o bar mais próximo, bebericando um ou dois dry martinis. Deve ter sido então que os bartenders criaram a “one for the road”, aquela última dose antes de pegar o trem para casa. 

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A mística do bar (ou do pub britânico) como refúgio e santuário era tema dos romances policiais e passou a ser adotada pelo cinema noir. Uma verdadeira estória de detetive não dispensa a cena da figura solitária bebendo no balcão de um bar escuro e enfumaçado. Não é difícil identificar o personagem – ele senta em uma banqueta, diante ao homem de avental branco e gravata borboleta. Entre um drinque e outro, desfila suas confidências, olhando nostálgico para as garrafas nas prateleiras espelhadas.

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Alguns personagens eram reais e acabaram incorporados ao lendário de bares tradicionais. O guru da publicidade David Ogilvy podia ser visto no final dos anos 60 rabiscando em seu bloco de notas no balcão do lendário P.J. Clarke’s. Dizia-se que foi ali que ele criou os lendários anúncios das camisas Hathaway. Em algumas cidades ainda existem bares e tavernas que guardam o estilo de vida dos antigos imigrantes. As lendas urbanas contam que nos anos 1900 havia mais irlandeses no Brooklyn do que em Dublin. Depois de um dia de trabalho duro na polícia, no corpo de bombeiros ou nas docas, os O’Hara, Murphys e Sullivans buscavam refúgio nos pubs para beber a cerveja escura importada da Irlanda. 

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Atualmente ainda se pode beber e passar algum tempo ocioso em um desses velhos bares. Como no veterano Old Town que sobrevive na East 18th Street e que funciona desde 1892. Já perdeu seu sotaque e agora é um dos pontos favoritos dos executivos de terno e gravata da vizinha Madison Avenue. Para um ou mais dry martinis antes de rumar para a Grand Central.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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