Afrontado com o equívoco da eleição de Jânio Quadros como presidente da República, escrevi e montei O Despacho, espetáculo sobre o qual Fernando Peixoto escreveria anos mais tarde: “Mario escreveu, em 1961, uma obra-prima da dramaturgia brasileira, que não ultrapassou as fronteiras do Estado. Uma obra profética: previa a crise política de 61 com minúcias e nomes”
O golpe de 64 encontrou-me na chefia de reportagem da Última Hora gaúcha onde, inclusive, era o principal colunista. Dia 2 de abril, quando Jango e Brizola resolveram ir para o Uruguai, fiz a maior molecagem de toda a minha vida: publiquei, na minha coluna – Sem Censura -, eu que nunca fui getulista, a carta-testamento e a foto de Vargas.
Enquanto o Exército se rebolava para apreender o jornal nas bancas, eu fugia. Graças à coragem e competência de alguns amigos – obrigado -, estou vivo.
Em tempo: Nos anos 70 (do século passado), houve uma tentativa para demolir a Caetano de Campos, prédio centenário de Ramos de Azevedo, na Praça da República, em São Paulo. Modesto Carvalhosa, Luís Celso Piratininga, Bernardo Lorena, Celso Roberti, Eusilles Pastore, eu e outros companheiros evitamos a demolição e conseguimos, por lei, o tombamento de nossa Caetano.
Curiosidade: outros alunos da Caetano de Campos vieram a frequentar o Antonio”s: Lygia Fagundes Telles, Severo Gomes, Renato Jardim Moreira, José Roberto Filippelli, Erlon Chaves, Régis Cardoso e Walter Avancini. Bôni, que não passou pela Caetano, era sobrinho da grande educadora que por mais tempo dirigiu a escola – Carolina Ribeiro.
(Do livro Antonio”s caleidoscópio de um bar, editora Record, 1992)

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