Sairemos melhores dessa pandemia?

Por Anelise Zanoni

 Desde o início da pandemia, muita gente anunciava com orgulho que sairia diferente desse momento histórico. Pois o tempo passou, a pandemia continua e eu tenho dúvidas se realmente o corona veio para "melhorar" algumas pessoas. 

 Fomos obrigados a adotar padrões de higiene e segurança que jamais imaginávamos. Porém, desconfio que o coronavírus tenha ação positiva sobre o caráter. Basta ver o que está ocorrendo com a flexibilização de bares, restaurantes e até destinos turísticos no Rio Grande do Sul.

 Mesmo sem vacina e sem testes pra todo mundo, o Estado criou um modelo com base científica que nos permitiu sair de casa (com ressalvas) e que pode ser um modelo de sucesso.

O problema é que muitos parecem ter esquecido que ainda estamos no meio de uma grande epidemia e que, sair de casa, não é mais como era há dois meses. E aí neste caso, estão enchendo bares, restaurantes e parques.

 Embora tenhamos números inferiores em relação a estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas, não podemos ignorar a potência do vírus e tampouco que estamos falando de vidas que são dizimadas - e não de números (que, sim, aumentam a cada dia). 

 Então, você, que foi reencontrar os amigos nos bares e comer um churrasquinho no seu restaurante preferido, acha que está melhor e mais evoluído com a pandemia? Eu acho que não!

 O coronavírus veio para nos forçar a enxergar a vida de outro ângulo. Está nos dando a chance de repensar hábitos relacionados às nossas famílias, ao consumo e ao trabalho. Por isso, precisamos repensar nossas ações e nossos impulsos.

 Outro exemplo são os hábitos de consumo. Dentro de casa, quantas vezes você precisou daquela bolsa de grife? Aposto que você ampliou o uso de calças de algodão, do moletom esfarrapado e reduziu o uso de desodorante. Talvez, a partir de agora, esteja preocupado apenas em dar um tapa no visual para as reuniões virtuais.

 Podemos também trabalhar mais remotamente. Há anos muitas pessoas sonham em ser nômades digitais e não sabem como! Pronto, esta é a oportunidade! (só precisa esperar um pouquinho para ficar circulando de cidade em cidade) 

 Sem dúvida, esse novo comportamento faz a gente se questionar se realmente precisa de tantas roupas, sapatos, maquiagens, bolsas. É hora de sermos mais conscientes com o consumo, e isso inclui avaliar se é necessário sair de casa para rever grupos de amigos e celebrar a vida.

 Por falar nisso, comemorar a permanência da vida é fundamental. Mas basta agradecer todos os dias! Quando tudo passar, aí sim aproveite os amigos, os parques, os bares e os brindes com cerveja gelada.

 

Autor
[email protected] Mestre e doutora em Comunicação Social, a jornalista é CEO da Way Content Agência da Comunicação, especializada em turismo, gastronomia e estilo de vida, e fundadora do projeto Travelterapia, que divulga destinos, experiências e cria projetos de branded content. Em 2019 foi finalista da categoria Imprensa do Prêmio Nacional de Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo. Tem experiência como repórter e editora, e é freelancer de publicações como Viagem Estadão e Veja Comer & Beber. Trabalhou 12 anos na redação do jornal Zero Hora e produziu conteúdos para veículos como Sunday Independent, Hola!, Contigo!, Playboy, Veja, Globo.com e Terra. Também atuou por 10 anos como professora de universidades como Unisinos e ESPM, passando pelos cursos de Jornalismo, Relações Públicas e Produção Fonográfica. Atualmente pesquisa o papel da imprensa no desenvolvimento do turismo e já estudou em países como Irlanda, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos.

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