Dizem os fofoqueiros que os maias diziam que o mundo acabará este ano. Como afirmam muitos estudiosos, é pouco provável que os maias tenham entrado nessa fria. Há provas e muitas contraprovas.
Aliás, acho que os profetas sempre se referem a um futuro bastante futuro, pois quando o futuro tornar-se presente, eles já estão livres, há muito, das inerentes, irreverentes e infalíveis gozações dos aliviados sobreviventes.
Apesar das inegáveis provas do avançado estágio da civilização maia, creio que, se fosse verdadeira a funesta profecia, eles teriam errado nos cálculos.
Entretanto, por extrema preocupação, convém entrar no próximo dezembro, os destros com o pé direito e os canhotos com o seu pé certo. Isso pode facilitar as coisas, depois…
Ensinam o calendário e o dito popular que, no caso, peru que morrer logo agora, antecipa sua “morte de véspera” do Natal.
Fico imaginando – só imaginando – quais seriam as providências a tomar se, de fato, o mundo vai acabar.
Antes de mais nada, quero ressaltar que o mundo sobrevive a muitas previsões graças às profecias de profetas que deram com os burros n’água e, com eles, se afogaram. Quantos calendários existem nas nossas diversas culturas ocidentais e orientais? Os judeus, por exemplo, estão no ano 5773.
Nosso calendário, recauchutado em 1582, por ordem do Papa Gregório XIII, foi baseado no calendário Juliano, implantado pelo imperador romano Júlio César, 43 anos antes do nascimento de Cristo.
Como se vê, esse negócio de previsão, além do quase total índice de chute, não depende só de calendário, mas, sim, da ausência de verdadeiros profetas. A gente nem pode dizer que não há mais profetas como antigamente, pois acho que profeta mesmo, das pesadas, nunca houve. Muito menos algum profeta que vaticinasse algo para além de um ou dois anos.
O que se conhece são sábios que entenderam episódios cíclicos da natureza e desse conhecimento tiraram dividendos financeiros, o que aconteceu, por exemplo, nas enchentes do Rio Nilo, no Egito, e da cultura do trigo.
O conhecimento agrícola deu-se bem com esse tipo de saber que, de observação e previsão, tornou-se fato.
Já quanto aos antigos oráculos gregos, estive em Delfos e entendi que, há muito, nas nossas plagas, cartomantes, pitonisas e jogadores de búzios vivem às custas da crendice alheia, da qual já se vitimavam os antigos gregos.
Machado de Assis, irônico, narra em seu conto A Cartomante como as “profecias” de uma culminaram em tragédia fúnebre.
Enfim, se o mundo aderir à profecia indigitada aos maias, pelo menos, me deixem levar o violão que nunca aprendi a tocar, assim como milhões de outras coisas que ficaram só na intenção de fazer.
Inté.
Vitrine (Comentários dos leitores sobre crônica anterior)
Adorei a coluna, paps. Precisamos voltar a Paris! Beijocas, filhota. Carla Almeida, Rio.
Jovem Mario … Paris … bateu o banzo… Moisés Andrade, Olinda/ Recife.
Fica bom logo!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Beijos de chocolate rsrsrsrs, Claudia Almeida, Rio.
Paris te aplaude, monsieur! Obrigada pelo passeio, muito savoir faire. Bj, Vera Veríssimo, Porto Alegre.
A jornalista Maristela Bairros, minha colega em Coletiva.net, colocou no Facebook o site da coluna. Obrigado, Maristela.

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