Com essa frase que hoje é o título, o meu amigo Rodrigo de Sá Menezes espalhou pela Internet minha última coluna que terminava com ela.
Chegaram outros e-mails que lembraram algumas atividades que, nos anos 1984 e 1985, desenvolvi como subsíndico do Condomínio Novo Leblon, onde moro há 33 anos.
Conto a história: tentando evitar uma grave ruptura política entre partes da comunidade, numa Assembleia Geral – Gilberto Ramos, meu irmão de coração e administrador de empresas por profissão –, voltamos para casa, ele síndico geral e eu subsíndico administrativo.
Se essa eleição causou surpresas, nenhuma foi maior que a de nós dois que, além de não cogitar do assunto, sabíamos do tamanho da responsabilidade assumida.
Com Álvaro Pontual como subsíndico financeiro, o trio desenvolveu um trabalho que acabou sendo uma divisão de vocações, sem maiores discussões.
Gilberto mandou-me semana passada um e-mail (em Vitrine, abaixo) que me transportou a um passado feliz, inda que de muito trabalho, tanto na Fundação Roberto Marinho como no Condomínio.
Não bloqueei recordações e elas chegaram aos borbotões, momentos que inda esfumaçados pelos anos chegaram atropelados pelas saudades.
Meu trabalho maior como subsíndico foi voltado para a criançada, espalhada em 600 mil metros quadrados, mas limitada pelas cercas necessárias que Gilberto “plantou” nas divisas do nosso “território”. Acontece que nossa distância menor até a urbe – Gávea ou Leblon – era uns 15 km. A Barra da Tijuca, além do seu km inicial, inda não existia.
Lembrei-me, em desordem, do Curumim, um núcleo de atividades infantis aos sábados, domingos e feriados conduzidas por um animador profissional; teatrinho de fantoches; aula de pintura do “mestre” Mario Mendonça; aula de higiene bucal pelo odontólogo Flávio Fernandes; como ainda havia um edifício a ser construído, pincéis e tintas divertiram os artistas mirins dando cores aos tapumes; Ciranda de Livros, programa aos domingos de criação de hábito de leitura da Fundação Roberto Marinho com a Hoechst; organização da biblioteca e contratação de um funcionário; domingos de matroginástica (com pais e filhos); apresentação de corais infantis e de bandas escolares; visitas das “bandeirantes”; visitas a um submarino e a uma exposição de brinquedos do Sesc São Paulo, criação de uma horta comunitária cuja madrinha foi a atriz Zilka Salaberry (Dona Benta do Sítio do Pica-pau Amarelo); ideia para criação de uma fazendinha que continua uma atração para a criançada); passeios no cavalo Amigão, de charrete, de carroça, de bondinho, de balsa na Lagoa Marapendi; criação do grupo Agito de jovens e suporte para suas atividades; criação de uma feira livre e uma de produtos orgânicos; quiosques do pão, de sorvetes e um Quebra-Galho; criação de um serviço de saúde 24 horas e ambulância permanente; criação de um serviço de consertos domésticos; instalação de uma banca de jornais que “bancava” o maestro do Coral, que iniciava suas atividades; Caravanas ao Teatro; instalação de um outdoor para anunciar eventos; criação de um Informativo que circula até hoje; concorrência para instalação de um salão de beleza; exibições das bandas do Corpo de Bombeiros e da PM; demonstração de natação com Maria Lenk, Patrícia Amorim e Djan Madruga, exibição de nado sincronizado; tarde de sábado com uma ala da Mangueira e Dona Zica, sextas-feiras das serestas; desfiles de moda; bailes; festas juninas com a participação da quadrilha de Sampaio, campeã fluminense, etc.
Na Fundação Roberto Marinho, eu, que já participara da equipe que implantou o Telecurso, fui o diretor responsável por 100 programas de TV sobre cursos profissionalizantes do ensino médio; campanhas sobre preservação da memória do patrimônio público, etc.
Ainda estudante, criei um curso de admissão à Escola Caetano de Campos para alunos carentes e, acho que, aí, a vida começou a me dar oportunidades de ser útil.
Estou feliz por todas as vezes que identifiquei as oportunidades e mandei ver.
Inté.
Vitrine (Comentários dos leitores)
Muito boa esta sua coluna rural de hoje. Coelho, São Paulo
Mario, o número 1 em utilidade pública e privada, ops, não pública. kkkk
Que outros muitos enxerguem um pouquinho a vida como você o faz. Abraços, fazendeiro.
Marco Mazzoni, Rio.
Mario querido, duas iniciativas suas que até hoje tenho saudades, a Fazendinha e as
Caravanas ao Teatro. Estas iniciativas, certamente, produziram marcas positivas na criançada daquela época gloriosa do Novo Leblon. Hoje, já adultas, aquelas crianças devem se lembrar dos momentos felizes que sua criatividade proporcionou. Ainda temos que citar a Matroginástica e os domingos de leitura da Hoechst. Meu Deus, quanta coisa boa você gerou! Aleluia, irmãozinho. Gilberto Ramos, Rio
Amigo querido: que saudades da época da Fazendinha… Cada criança cuidava da sua plantinha, que tinha o seu nome. Conviviam com os animais e a natureza. Fora tudo o que você proporcionou, nesta época em que os moradores amavam seu Condomínio, de lazer para todos!!!! De um lugar que, “more onde você gostaria de passar as suas férias…”, infelizmente hoje, só tem o nome… Útil, você será sempre, amigo!!! Obrigada por me levar para uma época muito feliz!!!! Beijokas. Sua fã, Claudia Almeida, Rio
Jovem Mario, bom dia. Obrigado pela lição! Hoje é o dia de perguntar por que as mulheres sentam com as pernas cruzadas? Sempre! Moisés Andrade, Olinda/Recife

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