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Sua excelência, o deputado Tiririca

O deputado Tiririca, assim que for empossado, vai receber uma fortuna mensal para… para o que mesmo? Não faz diferença, muitos dos seus colegas …

O deputado Tiririca, assim que for empossado, vai receber uma fortuna mensal para… para o que mesmo? Não faz diferença, muitos dos seus colegas de Câmara e Senado também se elegeram somente para arranjar uma boquinha. Se eu chamar a eleição de Tiririca de palhaçada, é óbvio que vou incorrer num dos mais lamentáveis pleonasmos de que se tem notícia. Sua candidatura e sua provável eleição deveriam passar batido. O que o torna diferente de muitos dos seus colegas de Câmara é que ele pinta o rosto, nada mais.

Sua fantasia é a de uma figura que, supostamente, não cria desconfianças, no entanto, oculta ali um pobre diabo sequelado de miséria, e, depois disso, um vivaldino. Historicamente ele sempre manipulou a ingenuidade das crianças, o sacana. Está longe de ser um palhaço, mas se infiltra, desdentado e com aquele ar de retardado, e obtém visibilidade, com a qual imediatamente cai no mau gosto popular para se tornar um monumento de mobilização pelo avesso, sua arrecadação milionária é uma prova desta aberração.

Mas há algo de trágico, de maldição argentina nesta candidatura, e no provável empossamento do palhaço Tiririca. Sua inocente fantasia de palhaço a um só tempo oculta a fraude e mascara o indivíduo portador de flagrante traço sóciopata, a exemplo de outros fanfarrões e picaretas já eleitos. Tiririca agora se prepara para engrossar as hostes dos estupradores da democracia, seja como personagem bizarro, seja como um reles levador de vantagens pessoais.

Com o tempo, a sociedade civil passou a observar um pouco melhor o que fazem muitos dos deputados e senadores. Sabe-se, por exemplo, que há um número expressivo destes senhores que têm contas a ajustar com a justiça criminal. Há todo tipo de escroques entre eles, estelionatários, golpistas e corruptos de todos os naipes. Como suas ações, quando existem, são amplamente noticiadas pela imprensa, cada vez mais fica evidente, aos olhos do cidadão comum, que um dos objetivos, notável e primordial desse ente político, é criar o máximo de dificuldade para o governo, e assim vender a solução. Dito deste modo parece que é só isso. Não é, mas, do modo filosófico, o existir da maioria desses cavalheiros não vai muito além disso. O modus operandi, as práticas de gabinetes, o ambiente moral daquelas casas (Câmara e Congresso) são simplesmente pantanosos, o país está enojado de saber.

Votar no Tiririca não é somente o modo de a população protestar e declarar aos quatro cantos do patropi que optou pelo mais lamentável dos palhaços. Ao aceitar a candidatura deste cretino, o Tribunal Eleitoral e sua legislação arcaica (e o partido que o acolheu) ofereceram a democracia, de bandeja, para mais uma vez ser profanada por uma escória de pichadores que só quer ver o circo pegar fogo e nada mais.

Autor

Paulo Tiaraju

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