Ronald Guimarães Levinsohn foi dono do Grupo Delfin e de um dos mais rumorosos escândalos financeiros dos anos 1980. O Grupo Delfin era dono da maior caderneta de poupança do país, com 3,5 milhões de depositantes. No ramo imobiliário era a sétima empresa do mundo. Ronald Levinsohn pagou em dezembro de 1982 ao Banco Nacional da Habitação (BNH) uma dívida de Cr$ 60,8 bilhões (o cruzeiro era a moeda) com terrenos que valiam Cr$ 9,6 bilhões.
Levinsohn era, também, o controlador do que foi a terceira maior universidade privada do Rio de Janeiro – UniverCidade – que contava com 35 mil alunos e acabou sendo fechada pelo Ministério da Educação.
Todas essas informações e muitas outras estão disponíveis no Google, mas o que me traz a esse assunto é uma informação que não está. Descobriu-se, na época do escândalo da Delfin, 1983, que ela possuía um cadastro falso de poupadores, inclusive um colega meu da Rede Globo, um austríaco recém-chegado ao Brasil, que nem sabia o que era uma caderneta de poupança.
A ditadura não conseguiu esconder o golpe, e a Delfin foi à falência.
Esse episódio veio-me à mente por causa de diversas reportagens de “O Globo” sobre as supostas contas numeradas (sigilosas) de 8.667 brasileiros abertas no HSBC da Suíça. Documentos vazados em 2008 por um ex-técnico de infornátca do banco suíço estão municiando o trabalho do jornal, em parceria do jornal carioca com a UOL.
Até agora, todas as pessoas da lista alegaram que nunca tiveram conta no referido banco.
Temos aí, por parte do HSBC, um procedimento igual ao da falecida Delfin?
Não vale um trabalho especulativo da imprensa?
Inté.

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