Um novo tempo para reconstruir o Brasil

Por Márcia Martins

Desfeito o mistério de quem entregaria a faixa ao presidente Lula, já que o ex-presidente fugiu, numa das atitudes mais representativas da diversidade do governo que se iniciou no dia 1° de janeiro de 2023, num domingo lindo e ensolarado, foi dada a largada para a reconstrução de um novo País. E o Brasil da igualdade, da fraternidade, dos direitos iguais, do respeito aos trabalhadores e trabalhadoras, começou, naquela tarde com um discurso emocionado feito do alto do parlatório, onde Lula, eleito pela terceira vez para a presidência do País, falou para uma multidão que lotava a Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Mais do que comentar as palavras contundentes do presidente eleito, em segundo turno, com 50,83% dos votos válidos, e que afirmou que governará para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não somente para aqueles homens e mulheres que votaram nele, é necessário tratar mais especificamente do enorme simbolismo da cerimônia da entrega da faixa presidencial. Simplesmente porque as pessoas escolhidas para participar de tal ato representavam todo o povo brasileiro, mas principalmente, uma parcela que foi totalmente ignorada pelo ex-presidente e toda a sua equipe de 2019 a 2022.

Nada foi mais significativo de que um novo capítulo da história deste Brasil tão sofrido nos últimos quatro anos, com o desmantelamento de políticas públicas e sociais e um desgoverno inexplicável na área da saúde, começou a ser escrito, do que as oito pessoas escolhidas para a subida da rampa, ladeadas por Lula, a primeira-dama, Janja da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin. Um menino negro da periferia, um líder indígena, uma catadora de materiais recicláveis, um metalúrgico, um professor, uma cozinheira, um jovem com deficiência e um artesão.

Na subida da rampa, como Janja havia prometido, o grupo teve a companhia da cachorra batizada de Resistência Lula da Silva. A vira-lata que perambulou no entorno da Polícia Federal, em Curitiba, de 2018 a 2019, período em que Lula ficou preso injustamente, foi alimentada pelos apoiadores do líder petista na Vigília Lula Livre, sendo cuidada até a sua soltura, depois de 500 dias. E foi adotado pelo casal Lula e Janja.

Com tantos simbolismos na posse de Lula, que será o verdadeiro representante do povo brasileiro nos próximos quatro anos, eu não tive a menor dúvida (para ser muito sincera, jamais tive qualquer hesitação sobre isso) de que este é um governo como a sociedade do País merece. Para todos os brasileiros e brasileiras, com respeito às diferenças, de qualquer espécie, justiça social, direitos iguais e a expectativa de que o alimento esteja na mesa de todos, todas e todes.

Autor
Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Famecos/PUCRS, militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de economia e geral, e em assessorias de comunicação social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021.

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