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Um país ainda com analfabetos

Em 13 de abril de 2012 foi sancionada a Lei 12.612 que declarou o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira. Paulo Reglus Neves …

Em 13 de abril de 2012 foi sancionada a Lei 12.612 que declarou o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira. Paulo Reglus Neves Freire (Recife, 19 de setembro de 1921 – São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educador e filósofo brasileiro e, apesar de pouco conhecido fora de sua área de atuação, foi o brasileiro mais homenageado da nossa história: recebeu 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades, entre as quais Harvard, Cambridge e Oxford.

Há 21 anos existe o Instituto Paulo Freire, que assim se define em seu site: “O Instituto Paulo Freire (IPF) é uma associação civil, sem fins lucrativos, criada em 1991 e fundada oficialmente em 1º de setembro de 1992. Atualmente, considerando-se Cátedras, Institutos Paulo Freire pelo mundo e o Conselho Internacional de Assessores, o IPF se constitui numa rede internacional que integra pessoas e instituições distribuídas em mais de 90 países em todos os continentes, com o objetivo principal de dar continuidade e reinventar o legado de Paulo Freire”.

Segunda-feira passada, em inspirada matéria de Juliana Castro, O Globo, em página inteira, comemorou os 50 anos da implantação do método Paulo Freire de alfabetização de adultos em Angicos, cidade do Rio Grande do Norte a 171 km de Natal.

Divididos em grupos de até 15 alunos, atraídos pela promessa de aprender a ler e escrever em 40 horas, em 18 de janeiro de 1963, Paulo Freire dava início às suas aulas. Quatro meses depois, o país, então com 40% de analfabetos, ganhava novos 300 alfabetizados.

O método, revolucionário, sem cartilha ou papel impresso, consiste em retirar do grupo, após uma conversa, vocábulos de uso familiar, como bolo, mato, povo e com eles ir formando novos fonemas e palavras (“Ivo não viu a uva” e nem podia – naquela época não se colhia uva no Nordeste).

O método ganhou mundo e teve pouco tempo de Brasil: a ideia de fazer de um neoalfabetizado um cidadão consciente de sua importância incomodou os golpistas de 1964 e culminou com Paulo Freire – taxado de subversivo – preso e exilado.

Em sua matéria, Juliana Castro conta um fato saboroso: Severino e Francisca Araújo foram um dos primeiros casais a se inscrever para as aulas, mas como não tinham como deixar a filha Maria Eneide, levavam junto a garota de 6 anos que, mesmo fora do público-alvo, também se alfabetizou.

Hoje, Maria Eneide de Araújo Melo é professora.

Inté. 

Vitrine (Comentários sobre a coluna anterior)

Ao pé da coluna: Amanhã, sem falta – “É, Mario, gestão na operação de qualquer empreendimento, além de seriedade e comprometimento, necessita também de competência! Ainda sofremos com o amargo sabor dos entulhos do governo militar e o hábito de darmos cargos a amigos e não profissionais. Lembra-se de Sarney Filho como ministro do Meio Ambiente? Será que ele conhecia alguma coisa da área, além dos tais marimbondos de fogo de seu pai? Como diz você, inté. Eduardo Pinto de Almeida, São Paulo 

Rodrigo Sá Menezes, São Paulo, colocou a coluna no seu twitter

Mais uma vez brilhante. Este seu artigo devia sair no O Globo, Estado de São Paulo, Folha etc. É uma pena ficar restrito a grupo de amigos. É uma pena.

Isnard (Manso Vieira), Rio

Mario, eu diria que é falta de responsabilidade porque gente capaz não falta, mas gente responsável e capaz não quer se sujar com política. Temos um histórico de catástrofes suplantando catástrofes. Assim esquecemos rápido de todas e vivemos com medo do que pode vir a seguir. Depois de uma semana em funcionamento, o novo mergulhão na Barra já estava com as paredes despencando. Pedaços de pedras na pista. Tenho medo de passar por ali. Circe Aguiar, Rio

Mario, viva! O Brasil ainda pode não ser bom em matéria de gestão, todavia, em gestação, oh, oh, é disparado o primeiro. Abração, Léo Christiano (seu leitor-admirador de carteirinha), Rio

Hello, honey. Já deve estar chamando a atenção o meu “honey”.  Explica pra eles que sou professora de inglês (fora psicóloga e fonoaudióloga), o que me leva a usar o termo. Senão vão achar que estou tentando te passar o mel para sair na coluna. Aliás, coluna muito boa, do caralho, já que a palavra foi liberada. Bem a propósito, porque se caralho é uma cestinha de navio, a tua é recheada de fatos interessantes. És como o Lincoln, sempre tens uma história para contar. Quanto a projetos, é moda. Acho que perdem tempo de estudo na escola, hoje, fazendo projetos.  Que não têm aplicação prática. Sabes como são os trabalhos de grupo, um faz e todos assinam. Mas às vezes saem coisas boas. Motivar o aluno também é moda. Bj, Vera (Verissimo), Porto Alegre

Beijo. Antonio Abujamra, São Paulo

(A respeito da coluna sobre Joaquim Barbosa)

Mario,

Gostaria de te cumprimentar – aí vai meu respeito por tua experiência profissional no trato de relações humanas de poder e poderosos – pela coluna. Colocas com lucidez a necessidade de uma relação equilibrada para quem exerce o poder, principalmente em se tratando dos poderes de uma república, ainda mal formada politicamente.  

Especulaste com maestria, te antecipando aos prováveis desencontros e desencantos que acabariam por ocorrer. Era uma questão de tempo…  o desenlace estava óbvio para ti, não para a maioria da população. Percebeste que uma relação conflituosa acaba por protagonizar o destempero de palavras vociferadas sem direção e, claro,… está pavimentado o caminho para o desastre.

Parabéns pela sacada.

Eloí Flôres, Porto Alegre

Autor

Mario de Almeida

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