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Uma crônica puxa outra

Escrevi aqui sobre a propaganda em cordel, no Nordeste, e a propaganda mural, no Ceará, esta com todas as características comerciais dos tradicionais outdoors, …

Escrevi aqui sobre a propaganda em cordel, no Nordeste, e a propaganda mural, no Ceará, esta com todas as características comerciais dos tradicionais outdoors, só que a pintura substituindo os cartazes impressos, mas com execução de layouts e a reproduçao de logotipos, marcas e logomarcas.

Minha amiga de Porto Alegre, a jornalista Gladis Fichbein, lendo a coluna, mandou-me um e-mail sobre as Casas Pernambucanas que, durante décadas, usaram muros, postes e, principalmente, as pedras nas estradas, como outdoors. Respondi-lhe que em “História do Comércio no Brasil – Iluminando a Memória”, livro comemorativo do 50º aniversário da Confederação Nacional do Comércio, edição de luxo, (21, 27cm, 204 páginas), com 3.000 exemplares distribuídos gratuitamente, e infelizmente esgotado, há um capítulo inteiro sobre as Pernambucanas que, fenômeno do varejo brasileiro, somaram, ao final de sua história, milhares e milhares de lojas abertas e fechadas.

Reproduzo aqui um minitrecho do “Manual para Gerentes”, das Pernambucanas, de 1949: “A colocação de placas e letreiros na cidade pertence à instalação completa de uma filial. Letreiros simples podem ser pintados com cola e cal pelos empregados da loja, ou alguém contratado para esse fim, nos muros, pedras, porteiras, barrancos, etc.”

Mas havia, também, o lado urbano e moderno, com comunicação sofisticada e, em 1989, em Nova York, as Pernambucanas receberam a Medalha de Ouro de Campanha de Varejo. Eu mesmo participara, antes, do júri dos “Profissionais do Ano”, promoção da Rede Globo, quando a MPM, por um comercial de TV para as Pernambucanas, levou o grande prêmio. Fiz, inclusive, o regulamento para a primeira versão dos “Profissionais”, briguei e ganhei para que os prêmios fossem em dinheiro, coisa inédita.

Quando do seu lançamento, em 1995, esse livro mereceu praticamente uma página a cores da Zero Hora. Dividido em capítulos por assunto, traz lembranças do Rio Grande, como a história da Farmácia Central, em Cruz Alta, de Erico Veríssimo, e como suas dívidas foram pagas, posteriormente, pelos direitos autorais do escritor já residente em Porto Alegre e nacionalmente consagrado. Publica, ainda, um trecho do “Solo de Clarineta” onde o próprio Erico, com fino humor, descreve como era a Pharmacia Brazileira, de seu pai, Sebastião Verissimo.

No capítulo dos caixeiros, hoje conhecidos como balconistas, a escritora gaúcha Zênia de León acredita que sua cidade, Pelotas, foi pioneira nas conquistas trabalhistas da classe. Um acordo entre os caixeiros e os comerciantes determinou que, de 1º de outubro de 1879 em diante, os estabelecimentos seriam fechados nos domingos e feriados religiosos a partir das 15 horas (sic). O livro foi enriquecido por uma belíssima foto de um caixeiro-viajante, enviada pelo Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, daquela cidade. O Musterreiter, o Cavaleiro do Amostruário, montado em seu burrinho, além de tratar da venda de suas mercadorias, trocava cartas entre os “colonos” alemães e trazia notícias frescas da Província e sobre o Governo.

O capítulo “O Comércio e a Propaganda” abre com uma página, a cores, com foto de Bataclan, que tive a alegria de conhecer logo em minha primeira permanência em Porto Alegre. Quem conheceu Bataclan, ao vivo e, anos depois, Chacrinha, na TV, há que concordar que Chacrinha, celebridade nacional, lembrava muito o Bataclan, celebridade regional. Este, contratado por lojas da Rua da Praia, fazia alarde das promoções da contratante. Alternava-se entre a Rua XV da Novembro, em Curitiba, e a da Praia. Seu corpo foi velado, em 1992, na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Esse livro, onde participou uma equipe de 13 pessoas e foram contatadas 400 instituições ligadas ao comércio, deu uma única tristeza a este autor, tristeza recente: foi-se Borjalo, de quem usei dezenas de charges antigas e outras que ele fez a meu pedido.

Inté.

* Mario de Almeida é jornalista, publicitário, dramaturgo, autor de “Antonio’s, caleidoscópio de um bar” (Ed. Record), “História do Comércio do Brasil – Iluminando a memória” (Confederação Nacional do Comércio), co-autor, com Rafael Guimaraens, de “Trem de Volta – Teatro de Equipe” (Libretos) e um dos autores do recém lançado “64 Para não esquecer” (Literaris).

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Autor

Mario de Almeida

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