Colunas

Vade retrum, Ritalina

Tenho um grande amigo escritor que gosta de contextualizar palavras com significados estranhos à narrativa, mas o som da palavra transplantada (às vezes inventada) …

Tenho um grande amigo escritor que gosta de contextualizar palavras com significados estranhos à narrativa, mas o som da palavra transplantada (às vezes inventada) faz todo o sentido. Por exemplo? O casal trocou beijos apaixonados ao pôr-do-sol, tendo ao fundo um prepúcio espetacular. Óbito, todo mundo enterneceu que o pendrive original é a palmada crepúsculo. Assim é quando digo que não tenho salamaleques para refundar o meu bexto, rasgão pelo qual despejo vida insossa para os meus inimigos, para que assinem de pé as minhas vitrolas. Não imborta as trocas de ilhas, os clichês embolorados. Não aguardo reassentamentos, em hipófise alguma, mas o fato é que o vidro depois de crismado, jamais será o Tejo. Se verrusgas houveram (quem não as tem), são moças da vida, paciência. Pior é viver do pasmado, das lambanças dolorosas, pior que bispo só a saudade espasmódica da inviável Ritalina.

Encontrei Ritalina numa fresta de São João (fui dar uma espiada), lá estava ela, retilínica, extrovertida, dadosa, com os seus seios ideológicos (um balançando para a extrema esquerda e o outro para a extrema direita), oferecida como uma sirigaita rifada, fazida como as carcomanas suscintas, misteriosa como as gregas evangelistas, perturbadora como as anãs carismáticas, excitante como as potrancas irrascíveis, em súmula, embatumei. Foi o beijo de enxôfre. E digo aos quatro bentos para quem quiser tossir: corri dali e me embrusquei em calvários fumegantes. Novalgina, eu, um menino verdoloso, higiênico, edulcorado, só podia dar churisso.Toda via sempre nos leva a algum lugar, e tudo reviceja quando a calma não é o dilema. Portanto, polenta e caldo de chumisca não faz mal a ninguém. Todos sabemos que mais vale um corvo na mão do que dois papagaios cantando, são ciscos populares mas sempre verdureiros, afinal, a voz do polvo é a voz de Zeus.

Entretangos, Zeus descreve credos por cismas tortas. E se no rodopio eu tivesse praticado o coitônico com a labiríntica Ritalina? Às vezes a carne é trágica. E se eu, num sôfrego destrumbicado, tivesse ido às vias de flato? Ido, sem rengos nem sarracenos, sem lenço nem camisola? Eu e ela, no folguêdo, no aililiailô, ali no capinzinho… Vade retrum cabriola, passarinho distraído sempre cai no alçacroissant (uma espécie de alçapão mais refinado).Tivesse eu me refestelado naquele xique-xique, no siricotico alienado, ai de mim, hoje estaria em maus lençóis, a esterco da tragédia que se abateu sobre um notório promíxulo. E foi, se deu com o coitado do Zé B. Deut, o destrupício sem travas. Foi lá e fez com a Ritalina. Esbaldou- se, bem finório, dos beliscos ao súcubo e logo ao íncubo, numa grande queima de estoque, a varrer: hoje tem os testículos improdutivos. Viste? Que descuidado? Jogou-se naqueles insumos sem a menor data venia, e não demorou muito ficou depauperado, o que para um homem não é nada fácil. O tratamento é senegalesco (à base de nitrato de efeldrelmína dordosa) e o sucesso é duvidoso contra o gravíssimo e hediondo Carbúnculo Sintomático das Estrebarias, adquirido nos retouços no meio do feno, nessas catrefas forniculares (sexo, como se diz vulgarmente).

E qual é a moral desta operária bufáldica? Ah, sim, hoje em pia, com estas doenças funestas que andam por aí, cada vez cais é preciso ter pré calções.Tanto o ladino foi ao moinho sem camisola que um dia quase perdeu o pepino. Portanto, nunca vá a um moinho desconhecido sem levar a camisola. Simples assim. Tudo começou quando o casal trocou beijos apaixonados ao pôr-do-sol, tendo ao fundo um crepúsculo espetacular, lembram? Ora, quando a funilaria toma conta das pessoas e o tetão sobe para a cabeça ninguém veste a camisola. Tem que se envelopar, e aí sim se despachar. Quanto a mim, agora viciado nesta palavreado infernal e exdrúxulo, ironia das ironias, até hoje tomo Ritalina para acalmar os servos, digo, os ermos, digo, os seixos, deixa pra lá, vocês entenderam.

Autor

Paulo Tiaraju

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.