Em junho de 2008, a cidade do Rio de Janeiro foi anunciada oficialmente como candidata à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Em 2 de outubro de 2009, a candidatura foi proclamada vitoriosa.
Um vasto e abrangente documento do Comitê Olímpico Brasileiro especifica os compromissos pertinentes à realização dos Jogos, como a despoluição da Baía da Guanabara em 80%, despoluição das lagoas e a ligação do metrô da Zona Sul da cidade à Barra da Tijuca. As obras do metrô prosseguem e ainda não dá para saber se cumprirão o prazo prometido.
Quanto à Baía da Guanabara, já escrevi aqui que o compromisso de despoluir 80% da mesma não só já é uma falácia, como também caracteriza a falta de seriedade dos seus gestores. Como a Baía abrigará a competição entre velejadores e se encontra uma verdadeira lixeira, incapaz de atingir a meta, já produziu um verdadeiro vexame nacional e internacional.
No dia 14 de fevereiro passado, em acidente provocado por lixo na raia em que treinavam, os velejadores Breno Osthoff e Rafael de Almeida Sampaio foram jogados ao mar.
Dono de cinco medalhas olímpicas de ouro, o atual técnico da equipe nacional de vela, Torben Grael, colocou a boca no trombone: – Quem frequenta vê que a Baía da Guanabara é um lixo, literalmente. A taxa de despoluição de 80% (prevista pelo governo do Estado) é utópica.
Bem informados e previdentes, os velejadores ingleses – conforme a BBC – estão ingerindo vitaminas para minimizar os efeitos da poluição, além de serem instruídos a levar enxaguantes enquanto estiverem treinando ou competindo. Nick Thompson ficou doente quando participou do evento-teste realizado no ano passado e agora está tomando óleo de fígado para fortalecer o intestino.
Médicos brasileiros não acreditam nas medidas inglesas e afirmam que a única medida garantida como eficaz é a vacina contra a hepatite A.
Já para os australianos, as preocupações vão além das provas de velas e atingem as provas na praia de Copacabana e na Lagoa Rodrigues de Freitas. É sugerido um chuveiro portátil para os atletas usarem assim que saírem da água.
Na minha condição de cidadão, toda vez que uma instituição ou cidadão brasileiros conspurca nossa agredida pátria, tenho a sensação de que fui vítima, ao nascer, de um equívoco geográfico.
Neste ano de 2015, uma das arenas construídas para a Copa de 2014 – a “Copa das Copas”, conforme dona Dilma – conseguiu colocar a sua cobertura.
Fosse eu um religioso, ficaria orando terços para que o Brasil não assumisse
mais compromissos internacionais. Amém.
Inté.

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