Joseph Blatter, presidente da FIFA, resolveu orar para Deus e para Alá. Aldo Rebelo, deputado federal e ministro dos Esportes do Governo Federal, resolveu contar a historinha de que toda noiva se atrasa para o ato do casamento. Ridículo? Mais que isso. Irresponsável, sendo ele nossa autoridade máxima em relação à Copa 2014, não poderia fazer gracinha (sic) com o fato de que algumas arenas não serão entregues até o prazo fatal, 31 de dezembro. O presidente da FIFA, um suíço criado no país do relógio e na cultura da pontualidade, já deve conhecer outros países onde rezar faz parte do negócio.
Em outubro de 2007, foi definitivamente escolhido o Brasil como o país-sede da Copa 2014 e, em maio de 2009, escolhidas as cidades-sedes: Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife, Salvador, Cuiabá, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
Na construção dos estádios (arenas, de acordo com o novo vocabulário) para a Copa das Confederações e Copa do Mundo, o vexame já foi dado: prazos prorrogados algumas vezes; arenas entregues sem o ponto final; acessibilidades duvidosas, entornos inacabados, enfim, um monte de imbróglios… E agora alguns atrasos ultrapassando o prazo fatal de 31 de dezembro. E muita reza para a Copa começar mesmo em São Paulo, no Itaquerão.
Esse vexame se transfere da área da construção e do negócio esportivo, de forma negativa, por extensão, para a imagem de um Estado que possui negócios nas mais diversas áreas do mundo e possui know-how competitivo em diferentes atividades, como, por exemplo, extração de petróleo em grandes profundidades.
Já publiquei aqui em Coletiva.net: “Mister FIFA, Joseph Sepp Blatter, não se cansa de afirmar – com razão – que nunca pediram ao Brasil para que fosse sede da Copa do Mundo de Futebol 2014. Em 1984, a Colômbia, já tendo conquistado o direito de realizar a Copa de 1986, desistiu e o México acabou realizando o torneio internacional. Nessa ocasião, o Brasil interessou-se em bancar os jogos, mas o presidente Figueiredo, o ditador de plantão, por visão econômica, vetou a ideia. No entanto, patrocinar novamente a Copa, depois de 1950, tornou-se obsessão, e a de 2014, especificamente, foi alvo de jornalistas contrários ao evento no Brasil. A consequência, todos sabemos: a construção de estádios milionários com capacidade muitas vezes superior ao potencial de público. Em Brasília, por exemplo, joga-se muito mais no bicho que futebol. Bilhões, financiados pelo BNDES, são de retorno duvidoso. O que houve na Copa das Confederações e haverá na Copa 2014 é o cumprimento de um contrato celebrado entre a FIFA, o governo do Brasil e o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira.”
Por tudo que já aconteceu na Copa das Confederações e aos fatos relativos à Copa 2014, independentemente do vexame que, mais uma vez, provou que gestão e Brasil não falam o mesmo idioma, já se sabe que, independentemente de resultados esportivos, esse grande evento vai deixar um saldo negativo absolutamente fantástico.
Nessa comparação Copa do Mundo – Figueiredo x Lula – o ditador ganhou de 10×0.
Inté.
Confissão: Estou tão velho que esqueci o que ia dizer.

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