A pátria é a família amplificada… Multiplicai a família, e tereis a pátria…
(Rui Barbosa, 1849 – 1923)
Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra… a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.
(John Donne, poeta e pregador inglês, 1572 – 1631)
Hoje, o que deveria ser a “Vitrine” é a própria coluna.
Acontece que um de meus amigos/irmãos, o jornalista, publicitário, escritor e advogado especialista em Direito Espacial, José Monserrat Filho, enviou-me um e-mail sobre minhas duas últimas colunas que, sem resposta, seria covardia do colunista, pois aborda temas pertinentes e, em qualquer época, atuais.
Como, às vezes, alguns leitores jogam confetes no ego do colunista, comentários sobre a coluna dedicada a Ayn Rand fazem companhia ao Mon aqui em cima e ignoram a imodéstia do colunista. Vamos lá.
Excelente, Mario. Um dos seus melhores textos, desde que leio a sua coluna. Abraço, Rodrigo (Menezes), publicitário, São Paulo
Irretocável. Gladys Fichbein, jornalista, Porto Alegre
Precisamos de mais “Ayns Rands”, para segurarmos o bastão da reflexão e poder passá-lo adiante. Em todo o caso, tua coluna me fez pensar que é um dos bastões que posso passar a quem aprecio e que, talvez, ainda pense por si mesmo. Apoiado. Beijo, Vera (Verissimo), psicóloga, Porto Alegre
Olá, amigo, acabo de ler seu artigo. Que mulher sensacional (Ayn Rand)! “Civilização é o processo de libertar o homem dos outros homens.”. Quando isto acontecer, seremos verdadeiramente livres! Beijokas. Cláudia Almeida, Rio
Jovem Mario, AYN RAND… meu Deus …. quanta claridade. Moisés Andrade, arquiteto, Olinda/Recife
Meu medo é que esta filósofa “pop” abra as portas dos infernos dos livros de autoajuda, “Lyas Lufts, Chalitas e coisas similares que vêm em compota. Abração, Guto Graça, publicitário, jornalista e poeta, Rio
Guto: esse risco não existiu: a libertária Ayn Rand, ao escrever “A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias” já indicava seu absoluto respeito ao direito do homem ser um ser único. Antes de tudo, Ayn é um furacão agitando a reflexão. (M.A.)
Prezado Mário, filosofia à parte, hoje apenas comento que, ao adentrar na Sauna de nosso Clube, encontrei-o sonolento e pude por alguns instantes fitá-lo, imaginando que ali estava um ser especial, onde a inteligência e a cultura estão muito bem representadas… foi uma oportunidade para demonstrar mais uma vez minha admiração. Abraços. Aderbal (Moura), executivo do mercado de capitais, Rio
Querido Marião, sobre suas duas últimas crônicas, preciso dizer-lhe duas coisas, com todo o carinho e a amizade que nos unem desde os anos 50:
1) A política é a atividade mais nobre e avançada da espécie humana; é o exercício do poder e da decisão que produziu as grandes revoluções e conquistas alcançadas até hoje e que, se a política triunfar, ainda vamos ter futuro, a partir desta manhã. Não confundir política com politicagem. E saber distinguir uma de outra. Confundindo as coisas, você pode jogar fora a água suja do banho junto com a criança, da qual precisamos como o ar que respiramos.
Execrar a política – ação imprescindível do mais alto nível – e dela se afastar pode, ironicamente, fortalecer o que mais detestamos, a politicagem, o jogo rasteiro e nefasto dos interesses individualistas, antissociais e, portanto, desumanos (ou seja, distante do alto grau de civilização e cultura que, felizmente, já atingimos e que constitui a nossa maior defesa contra os detratores e destruidores do melhor da nossa espécie). Viva a política! Abaixo a politicagem!
2) Nenhum homem é uma ilha. O eu é fundamental, há que desenvolvê-lo ao máximo. Mas o nós também é essencial, há também que desenvolvê-lo ao máximo como conjunto de “eus” civilizados, solidários, construtivos e criativos em benefício da espécie como um todo, independentemente de qualquer diferença, sobretudo de culturas e ideias. Em cada momento da vida, é possível perceber quanto um “eu” está sendo apenas “eu”, e não “eu” mais “nós”. A soma do “eu” e do “nós” é a conta necessária para a nossa sobrevivência. Viva cada um de nós e todos nós! Abração. Mon (José Monserrat Filho), Brasília/Rio
Querido Mon
Em 21 de maio passado, na coluna “Já dei murro em ponta de faca”, escrevi: “Para se fazer política, mesmo que seja apenas uma trêmula luz no fim do túnel, é preciso acreditar que essa luz existe. Não o creio. Fazer política é um ato de esperança, inda que remota”.
Eu me referia ao Brasil, pois não me sinto instrumentado para entrar no emaranhado internacional, onde Ocidente e Oriente se discutem com culturas específicas.
Aqui em Coletiva, sou um escrivinhador onde ponho para fora meus aprendizados, dentro de fronteiras muito exíguas. Pretendo-me um humanista em doses homeopáticas.
A razão existencial para não escrever sobre a realidade brasileira não é a fuga da politicagem, é a recusa de meter a mão na merda e desafiar uma náusea que não foi provocada por mim, mas sim em mim. No caso, a política nacional é apenas um dos ingredientes da minha náusea, cujo protagonista é o próprio brasileiro.
Concordo com a metáfora de Rui quanto à pátria ser a família amplificada, mas peço licença para afirmar que, nessa imagem, eu e milhões de famílias somos exceções dessa amplificação (bela merda – belo oximoro, não?).
A cidadania é uma sujeição e a maioria nela se projeta, mas sou um que, depois de muito murro em ponta de faca, abriu mão dela. Isso não foi uma decisão, foi um fato, aconteceu e eu registrei, pois ninguém despercebe o fato de viver novos interesses ou ampliar os existentes. Ampliar a alegria de viver é um ganho e nessa alegria está a de escrever com prazer. Sou capaz até de escrever um obituário alegre (outro oximoro), só depende da má qualidade do defunto. Quanto à pátria, é doloroso.
Nada tenho contra a política, pelo contrário, ela me fez fugir do Rio Grande para não ser assassinado pela polícia que colocou colega meu no pau de arara para dizer onde eu estava, me fez perder emprego, apartamento, livros, me separou da companheira por longo tempo, etc. etc…
Respeito, e muito, seu talento e esforço para colocar o Brasil entre os que discutem oficialmente os caminhos do Direito Espacial, assim como respeito todos os povos que lutam para derrubar seus ditadores.
A política não é uma merda quando seus objetivos caminham para o bem-estar comum, mas o contrário é isso aí, meu Brasil brasileiro.
Quanto ao poeta John Donne e sua afirmação de que o homem não é uma ilha, sempre senti isso como uma afirmação maior, uma convocação para o sentimento de solidariedade, de fraternidade entre todos aqueles que compartilham o drama de existir.
Inté, companheiro e que nosso próximo almoço seja breve.

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