Colunas

Vou estar lhes escrevendo

Apesar do dedo médio da mão direita enfaixado, despertei com a melhor das intenções para estar lhes escrevendo esta coluna semanal. Planejei o dia …

Apesar do dedo médio da mão direita enfaixado, despertei com a melhor das intenções para estar lhes escrevendo esta coluna semanal. Planejei o dia para estar cumprindo com o dever e prazer de colaboradora do site Coletiva, estar almoçando com a minha filha amada de paixão, a Gabriela Martins Trezzi, em férias escolares, e estar me dirigindo ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado (Sindijor), que se encontra em processo eleitoral. Mas fui bruscamente afastada da proposta ao ser interrogada pela voz orgástica e suave de uma atendente de telemarketing que avisou: “vou estar gravando a nossa conversa”.

Sem tempo hábil para informar que nem por cima do meu cadáver, ela iria operacionalizar a sua tarefa, a moça foi se empolgando com as lições recentes dos livros de marketing que lhe foram disponibilizadas e despejou, em segundos, algumas perguntas básicas e particulares. Faltou dizer que o questionário era somente a nível de confirmação de dados. Numa tentativa inútil de agilizar a ligação, porque eu não pretendia estar contribuindo para isto, sussurrou que, antes eu deveria estar lhe falando a minha data de nascimento. Só depois, ela estaria reinicializando o nosso contato.

Com o gosto amargo e requentado do segundo café do dia, interrompi a nossa breve conversa quase íntima para estar lhe mentindo que eu não estava na minha casa naquele momento, que eu estava precisando sair mais cedo e que eu não poderia estar informando que horas eu pretendia estar voltando. E, também, a nível de agilizar para a moça do telemarketing, eu não poderia estar lhe passando o número do meu celular porque ele estava tocando neste momento e eu precisava estar atendendo. Antes que ela reforçasse de que estaria me retornando o contato quando eu pudesse estar lhe atendendo, caiu subitamente a ligação.

Para facilitar o trabalho da revisão do portal, necessito estar adiantando que sim, escrevi esta coluna repleta de gerúndios, casados ou não com palavras tão feias e homofóbicas, que não convivem em harmonia com vocábulos antigos e corretos. E antes que você, leitor nauta, inicialize um contato virtual para saber se estou com a inteligência afetada pelo assassinato da linda flor do Lácio, eu lhes asseguro que, momentaneamente, estarei imprimindo nosso email.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
Compartilhar:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.