Por ataques a jornalistas, Fenaj e outras entidades denunciam Bolsonaro a organismos internacionais

Em mobilizações diferentes, são apontados ataques contra mulheres que atuam na imprensa

Presidente da República, Jair Bolsonaro - Reprodução Fenaj

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) está entre as entidades que denunciaram o presidente Jair Bolsonaro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ONU), por violações contra profissionais de imprensa. A Fenaj também integra o grupo que denunciou Bolsonaro no Conselho de Direitos Humanos, por ataques a mulheres jornalistas.

Nos documentos sobre as violações contra a imprensa em geral, é apresentado um histórico dos episódios de ataques do presidente e de seus apoiadores, contra jornalistas no exercício da profissão. Essas denúncias ainda são assinadas pelo Sindicato de Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação(FNDC), pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), pela Associação Brasileiro de Ensino de Jornalista (Abej) e pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Eles reivindicam o urgente posicionamento da CIDH e da ONU.

Em 2019, conforme levantamento da Fenaj, foram registrados 208 ataques a veículos de comunicação e a jornalistas, sendo o presidente responsável por 58% destes casos. De acordo com as entidades mobilizadas no caso, os atos de Bolsonaro ferem a Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), que diz: "Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir informações e ideias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha".

No caso da denúncia referente a ataques contra mulheres jornalistas, entidades relataram, em Genebra, 54 casos de ofensivas do governo contra as profissionais. A jornalista Bianca Santana é quem falará em nome do grupo. Ela foi acusada, em maio, pelo presidente de escrever 'fake news', por publicar um artigo sobre a relação entre familiares e amigos de Bolsonaro com os acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco.

Participam dessa mobilização pedindo providências contra ataques às jornalistas mulheres: Agência de Notícias Alma Preta; Artigo 19; Casa Neon Cunha; Coalizão Negra por Direitos; Cojira-SP - Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo; Federação Nacional dos Jornalistas; Instituto Marielle Franco, Geledés - Instituto da Mulher Negra; Gênero e Número; Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos; Instituto Vladimir Herzog; Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social e Marcha das Mulheres Negras de São Paulo; Rede Nacional de Proteção a Comunicadores; Repórteres Sem Fronteiras; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sempreviva Organização Feminista; Terra de Direitos e Uneafro Brasil.

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