Os discos de vinil já foram considerados ultrapassados. Mas, em 2024, as vendas físicas do setor fonográfico foram de R$ 21 milhões no Brasil – um crescimento de 31,5%, o maior desde 2017. E quem puxou essa alta foi justamente o velho e bom disco de vinil.
Hoje, o vinil é o formato físico mais comercializado no País. De acordo com a última edição do Relatório da Música Brasileira, divulgado em março de 2025, os bolachões faturaram R$ 16 milhões no ano anterior, uma alta de 45,6%. Em meio à hegemonia do digital, o físico voltou a ter valor. E esse movimento não se restringe à música.
As revistas impressas vivem um movimento semelhante. Assim como o vinil, elas já foram dadas praticamente extintas. A conveniência do digital havia tornado o papel obsoleto: o impresso era caro, fora de ritmo, ocupava espaço e ainda era pouco amigável ao meio-ambiente. Mas, nos últimos meses, publicações analógicas começaram a ganhar novo fôlego. A revista Esquire desembarcou no Brasil, a Veja Rio virou semanal e títulos icônicos como Capricho e Manchete voltaram a circular em versões impressas.
O movimento também é visto no meio empresarial. A Chanel, por exemplo, criou em 2025 a revista Arts & Culture. Com formato semelhante a um livro de mesa, a publicação da grife francesa foi lançada em livrarias independentes pelo mundo – inclusive no Brasil. No mesmo ano, a Microsoft lançou a Signal, revista de 120 páginas entregue para executivos e clientes corporativos. Já o escritório Fernandes Machado Business Law, com sede em Porto Alegre, criou uma revista intitulada Business Talks. Trata-se de uma vertical de conteúdo que visa entregar conhecimento de valor à comunidade empresarial no Rio Grande do Sul. Nos três casos, as revistas fazem parte de uma estratégia de marketing fora do convencional, baseada em um produto premium, de alta qualidade editorial e valor colecionável.
A fadiga digital ajuda a explicar o renascimento das revistas, é claro. Mas o impresso também tem seus méritos. Publishers têm apostado no caráter intencional do consumo: é o leitor que escolhe o que lê, não um algoritmo. Além disso, a leitura em papel é uma experiência sensorial associada ao lazer. Outras camadas de valor também entram em jogo, como nostalgia, desejo de posse, foco e desaceleração.
Para 2026, a Vogue americana e a Vanity Fair deixarão de ter edições mensais impressas, passando a publicar oito edições por ano. Outros títulos, no Brasil e no exterior, também podem estar repensando suas estratégias de impressão – ou até mesmo de negócio. É que muitas revistas estão, atualmente, ancoradas não apenas no conteúdo impresso ou digital (em site e redes sociais), como também em licenciamento da marca, eventos e outras experiências.
No passado, a redução da frequência de impressão era vista como evidência do declínio da mídia impressa. Hoje, porém, o desejo por conteúdo de qualidade, com texto e design arrojados, somado aos excessos da vida digital, tem dado uma nova sobrevida às revistas. O que vale para títulos tradicionais e também para empresas.


