No último sábado, 4, mais uma polêmica envolvendo o Grêmio e a imprensa gaúcha foi registrada. No episódio, o técnico Renato Portaluppi criticou o comentarista da rádio Gaúcha Cesar Cidade Dias, o CCD, chamando-o, entre outras coisas, de “recalcado”. O episódio aconteceu na entrevista coletiva de pós-jogo da partida entre Bahia e Grêmio, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro.
“Existem dois ou três jornalistas que são mesquinhos, que acham que mandam no clube, e que determinam quem deve entrar ou não. Tem um colega de vocês que é um recalcado, o ‘tal’ de Cesar Cidade Dias, um metido a ‘sabe-tudo’. Um corneteiro”, disse Renato. O treinador gremista ainda relembrou o tempo em que CCD foi dirigente: “Ele pensa que tem as respostas para tudo, mas quando teve a oportunidade, só fez o Grêmio passar mico”.
O treinador ainda falou que Cesar teria tentado se reaproximar da administração tricolor, ao pedir “uma vaga” para o ex-presidente Romildo Bolzan Júnior e para o atual, Alberto Guerra. “Enquanto eu estiver aqui, pode ter certeza que ele não vai entrar. E, lá na frente, se o derem alguma ‘brechinha’, farei questão de lembrar ao nosso torcedor quem ele é”, completou. Por fim, Renato pediu para que a torcida não “dê bola” para o comunicador quando “criticar ou elogiar” alguém do clube: “Está dado o recado”.
Em resposta, ao vivo na Gaúcha, CCD pontuou que suas críticas ao treinador são baseadas em fatos e que as continuará fazendo caso “ache que a realidade mostre isso”, mas ponderou que é passível de julgamento. “Quando abrimos o microfone, temos que ter a sabedoria que também merecemos ser criticados e o Renato achou que deveria me criticar. O que espero dele é que quando se indigne com alguém, faça o que fez hoje: ganhar”, completou. Além disso, o comentarista se colocou contra parte do posicionamento do ídolo gremista, quando disse que Cesar tinha pedido para voltar ao clube. “Não é verdade. Desde que assumi minha posição na imprensa, deixei a política da instituição”, finalizou.
Durante o ‘Sala de Redação’ desta segunda-feira, 6, CCD reiterou o dever que tem “em saber ouvir” e novamente contestou falas de Renato sobre um suposto pedido para voltar à gestão do Grêmio. “Tenho certeza que não vou mudar minha forma de atuar e não existe nenhuma preocupação em esse episódio me intimidar ou algo do tipo. Para mim, este caso está encerrado”, concluiu.
Repercussão
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, inclusive entre colegas de imprensa. Leonardo Meneghetti saiu em defesa de CCD. “Renato já tinha falado na coletiva que ser comentarista é a profissão mais fácil do mundo, em uma tentativa de destituir a importância da crônica esportiva. Ele deve pensar que o Cesar teve a ‘audácia’, o ‘destempero’ de o criticar enquanto técnico. Qual o problema nisso?”, pontuou. O jornalista ainda caracterizou o ocorrido como “um ataque frontal e desnecessário”.
No mesmo caminho, Fabiano Baldasso saiu em defesa do comentarista do Grupo RBS. “O Renato tem todo o direito de criticar o Cesar, de achar que ele é um comentarista ruim e que foi um mal dirigente. Mas, ele errou em falar coisas que não são verdadeiras ao dizer que ele estaria tentando voltar ao Grêmio. É mentira”, disse.
Manifestações
A reportagem de Coletiva.net conversou com o presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (Aceg), Rogério Amaral. Em resposta, o dirigente avaliou que não é necessário o posicionamento da instituição, uma vez que não viu na fala de Renato “uma ofensa à atividade de cronista esportivo”. “Houve, sim, uma grosseria. Foi uma crítica e o próprio Cesar deu ao Renato esse direito quando falou sobre o caso”, completou.
O Grupo RBS se posicionou sobre o ocorrido em nota. “O Grupo RBS reitera sua crença em um ambiente jornalístico baseado em informação com responsabilidade e pluralidade e pautado pelo respeito ao exercício da profissão, assegurando a seus comunicadores espaço e liberdade para manifestarem suas opiniões”, diz a manifestação.
A reportagem ainda entrou em contato com o Grêmio, que preferiu não se manifestar. A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) também não quis emitir comunicado, enquanto o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) optou por seguir o que a Aceg definir.

