Falta menos de uma semana para o segundo turno das eleições de 2022 e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) separou uma lista de ferramentas para auxiliar os jornalistas na cobertura eleitoral. A seleção traz aplicativos baseados em dados, que podem contribuir com o trabalho de repórteres que desejam aprofundar o debate sobre candidatos nesta reta final. Desse modo, cinco meios de investigação são sugeridos pela entidade.
O primeiro deles é o Pinpoint, um projeto criado pelo Google que utiliza inteligência artificial para identificar nomes de lugares, pessoas e empresas mencionadas em documentos e áudios. Curadora da iniciativa no Brasil, a Abraji disponibiliza documentos de interesse público na plataforma. Além disso, as duas últimas remessas de conteúdo têm como foco as eleições de 2022 e incluem pesquisas eleitorais e certidões criminais de candidatos.
A segunda sugestão é o CruzaGrafos, criado por meio de uma parceria entre a Abraji e o Brasil.IO., que permite verificações cruzadas e investigações avançadas. A iniciativa reúne diferentes bases de dados públicas e possibilita ao usuário visualizar as ligações entre políticos, candidatos, empresas, documentos e outras informações em uma espécie de teia. Recentemente, a plataforma passou por uma atualização, que incorporou uma série de recursos e informações.
Com o Publique-se, iniciativa da entidade em parceria com a Transparência Internacional Brasil e o Jusbrasil, é possível verificar quais processos judiciais de interesse público citam políticos como partes. Repórteres que estejam investigando candidatos a cargos públicos podem acessar as movimentações processuais e os principais dados dos processos, bem como o ID único para consulta nos sites dos tribunais e um link direto do processo na plataforma do Jusbrasil.
Em 2020, a Abraji desenvolveu o projeto Ctrl+X, que possibilita identificar políticos e figuras públicas que estejam utilizando o Judiciário para atacar, perseguir e intimidar profissionais do Jornalismo. Com mais de cinco mil ações registradas, o serviço agrega processos judiciais contra jornalistas e veículos. Para tanto, repórteres que buscam indícios de comportamento abusivo de parlamentares contra a imprensa podem ter o aplicativo como um aliado.
Por fim, ferramenta criada pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project – consórcio internacional de jornalismo investigativo -, o Aleph agrupa mais de 500 bases de dados que podem ser cruzados entre si. Em parceria com a Abraji, o diretório brasileiro do projeto agrupa dados relativos a beneficiários do Auxílio Emergencial e Bolsa Família, proprietários de aeronaves, além de doadores e fornecedores de campanha eleitoral. Gastos com cota parlamentar de senadores e deputados, bens de candidatos registrados em eleições e embargos ambientais também estão na plataforma.
