A agência Alma Preta, que cobre a temática racial no Brasil e no mundo, lançou seu primeiro manual de redação antirracista, que visa apontar caminhos para superar questões raciais na cobertura e nos veículos de Comunicação, além de recuperar quase dois séculos de imprensa negra no País. O material é fruto de um trabalho que durou três anos e foi protagonizado por oito pessoas, entre acadêmicos, jornalistas e pesquisadores. Informações sobre como adquirir o título ainda serão divulgadas no site do veículo.
Intitulado de ‘Manual de Redação: o Jornalismo antirracista a partir da experiência da Alma Preta’, a publicação não deve ser vista apenas como uma lista de instruções com dicas de como não ser racista ao escrever matérias. É o que afirma o editor-chefe da agência, Pedro Borges. “É um material que conseguiu casar, para além da dimensão política e ética, critérios de noticiabilidade, cuidados de segurança para um jornalista preto cobrir manifestações e recomendações técnicas para coberturas específicas, como saúde e segurança pública”, pontua.
A coautora da obra Fernanda Rosário explica que o manual traz sessões como história da imprensa, ética, técnicas e estratégias de não reproduzir “a violência ao longo de vários temas que o Jornalismo pode abordar”. “Não só apenas discriminação, preconceito e racismo, mas em todos os assuntos que atingem a vida da população negra, quando a gente vai falar sobre saúde, cultura, meio ambiente”, diz. Além disso, para ela, a expectativa é que a publicação circule em faculdades e que as pessoas possam “aprender o que não tivemos oportunidade”.
Natália Santos, também coautora do livro, explicou que a ideia do manual surgiu no começo da pandemia de Covid-19, ainda em 2020, e que houve um processo de construção coletiva e de escuta, com mais de 30 entrevistas, entre especialistas, pesquisadores, jornalistas, além de avaliações conjuntas do material. O projeto também teve a participação de Ana Flávia Magalhães Pinto, Jéssica Rosa, Juarez Xavier, Marcelo Vinicius, Rosane Ramos e Victor Moura.

