O diretor gaúcho Zeca Brito estreou nesta segunda-feira, 9, seu nono longa-metragem em première nacional no 25° Festival do Rio. ‘Arte da Diplomacia’ também será exibido na sexta-feira, 13, e no domingo, 15, às 16h20 e 14h, respectivamente. A produção poderá ser vista novamente dentro da mostra Itinerários Únicos. O documentário investiga a doação por parte do Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial, de 160 pinturas de 70 artistas modernistas para o Reino Unido, em como isso moldou as uniões feitas pelo País e sua posição na luta contra o nazifascismo.
A obra, antes de ser exibida no Festival do Rio, teve sua primeira exibição mundial na Argentina, no 11º Festival Internacional de Cine Documental de Buenos Aires (FIDBA), no sábado, 7. “O filme investiga o Modernismo brasileiro em seu primeiro levante de internacionalização. Um fascinante episódio em que os artistas e suas obras influenciaram na composição geopolítica, e posicionaram simbolicamente o País na Segunda Guerra Mundial – arte como soft power no combate ao nazifascismo”, conta Zeca.
A Arte Moderna brasileira foi exibida em Londres, em 1944, e, de acordo com uma fala da pesquisadora Clara Marques no filme, essa foi uma forma de enviar um recado para os alemães. “Tem uma certa provocação ali de mandar para os inimigos da Alemanha justamente o tipo de arte que o próprio Hitler mais detesta”, relata.
O documentário parte da investigação feita pelo diplomata Hayle Melim Gadelha, trazendo relatos de diferentes críticos e historiadores da arte, com gravações em Londres e no Rio de Janeiro. Algumas pessoas que relatam as suas visões do caso são as críticas de arte brasileira Aracy Amaral e a inglesa Dawn Adès, as historiadoras Glaucea Britto e Anita Leocádia Benário Prestes, além de familiares dos artistas que participaram da exposição na Inglaterra, como a pesquisadora Lisbeth Rebollo e o pintor Luiz Aquila.

