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Com direção de gaúcho, Abraji lança documentário sobre sua história

Produção assinada por Diego de Godoy conta os 20 anos de trajetória da associação

Com direção, roteiro e montagem do gaúcho Diego de Godoy, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou um documentário sobre suas duas décadas de trajetória. ‘Abraji 20 anos: de Tim Lopes a Dom Phillips’, já está disponível no YouTube desde a última quarta-feira, 7, data de aniversário da instituição.

Durante 46 minutos, a produção aborda uma série de temas, como a transição entre as Reportagens Assistidas por Computador (RAC) e o que se conhece hoje como Jornalismo de Dados. O documentário ainda trata sobre um problema recorrente da atualidade: a desinformação. A história é contada a partir dos depoimentos de todos os ex-presidentes da organização: começando pelo cofundador Marcelo Beraba, passando por Angelina Nunes, Fernando Rodrigues, Marcelo Moreira e José Roberto de Toledo. Ainda são entrevistados Thiago Herdy, Daniel Bramatti, Marcelo Träsel e a atual presidente, Katia Brembatti.

Outro ponto do documentário aborda o dilema em torno do próprio nome da Abraji, que, ao incluir o termo Investigativo, poderia excluir as outras formas de se fazer Jornalismo. José Roberto, que dirigiu a entidade no biênio 2014-2015, relembra a discussão que marcou a época da criação da instituição. “Nem todo Jornalismo é Investigativo. A cobertura de uma partida de futebol é Jornalismo. A cobertura de um debate eleitoral é Jornalismo”, pondera. O profissional ainda ressalta que “para fazer uma investigação, você precisa de tempo, de gente qualificada, de recurso”.

De Tim a Dom

O nome do documentário carrega consigo uma das premissas da Abraji: o cuidado com a segurança de jornalistas, que foi aumentado após a morte de Tim Lopes em 2002 e levou à criação da associação. Dentro disso, o filme se propõe a mostrar as transformações que atravessaram o cenário da mídia brasileira e mudaram o jeito de se fazer Jornalismo no País.

Marcelo Moreira, que liderou a associação de 2012 a 2013, explica como esse processo ocorreu. “Quando morre Tim, a nossa preocupação com a segurança se eleva em um novo patamar, de que algo a mais era preciso fazer. Não bastava apenas, como era feito, pautar jornalistas experientes que sabiam como planejar, como entrar e como sair de uma favela”, pontua.

Já ao olhar para o cenário atual, a visão é de retrocesso, conforme Angelina Nunes, uma das fundadoras da entidade e atual coordenadora do Programa Tim Lopes, criado em 2017 como uma resposta ao aumento da violência contra jornalistas.A gente andou muitos passos para trás. Quando eu soube da morte do Dom Philipps, eu falei ‘não é possível que 20 anos depois essa cena se repita’”, avalia. Dom, jornalista britânico que atuava no Brasil desde 2007, foi assassinado este ano, junto ao indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira.

Ficha Técnica:

Roteiro, direção e montagem: Diego de Godoy

Direção de fotografia e som direto: Luiz Cunha

Fotografia adicional: Carol Quintanilha

Artes e pós-produção: Produtora Dgdgd

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