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Desertos de notícias diminuem em 8,6% no Brasil neste ano, diz levantamento

Censo que mapeia a presença do Jornalismo Local no País aponta para uma redução maior no Norte e Nordeste

A sexta edição do Atlas da Notícia – censo que mapeia a presença do Jornalismo Local no Brasil – identificou uma redução de 8,6% nos desertos de notícias. A queda foi maior no Norte, onde foi identificada atividade jornalística em mais 95 municípios, e no Nordeste, em 87 municípios. De acordo com a análise realizada, as notícias passaram a ocupar esses territórios por conta do avanço dos meios nativos digitais e pelo crescimento da produção de conteúdo por rádios, sobretudo as comunitárias.

Além disso, no levantamento deste ano, 271 municípios brasileiros passaram a contar com ao menos um veículo de Comunicação local e outros 15 voltaram a ser considerados desertos, ou seja, não oferecem mais aos seus cidadãos informações apuradas e produzidas por jornalistas sobre o lugar onde vivem. Contudo, esta é a primeira vez desde o início do levantamento, em 2017, que o número de não desertos supera o de desertos. 

No total, foram mapeados 14.444 veículos jornalísticos em atividade no Brasil, um acréscimo de 5,2% em relação ao último censo. Desse número, os meios on-line são 5.245, correspondendo a 36%. Desses, 1.671 são blogues ou meios que usam redes sociais como sua principal plataforma de distribuição de conteúdo.

Porém, 2.712 municípios, que somam 26,7 milhões de habitantes, permanecem desertos de notícias no Brasil. Outras 32,1 milhões de pessoas vivem em 1.635 localidades que têm somente um ou dois veículos de Comunicação jornalística. Essas cidades são consideradas no censo como ‘quase desertos’. Além disso, apesar de acompanhar o Norte no crescimento, proporcionalmente ao número de cidades, o Nordeste segue sendo a região com maior número de desertos: 56,4% dos municípios estão nessa condição.

Atividade intensa

Para o presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) e coordenador da equipe de pesquisadores do Atlas, Sérgio Lüdtke, “os dados demonstram que a atividade jornalística no País é intensa, com o surgimento de novos empreendimentos que forçam e testam os limites do que entendemos ser um veículo de comunicação jornalístico”. Contudo, ele alerta para a fragilidade das novas iniciativas: “A expansão dos meios digitais, muitos deles de empreendedores individuais, traz consigo o desafio de capacitar os novos meios para uma gestão sustentável e o estímulo à criação de políticas públicas que estimulem o surgimento de novas iniciativas para reduzir ao máximo os desertos de notícias”.

A sexta edição do Atlas da Notícia contou com o apoio de 303 colaboradores voluntários e estudantes de 80 organizações e universidades. Esse trabalho foi coordenado por cinco pesquisadores, um em cada região: Angela Werdemberg (Centro-Oeste), Jéssica Botelho (Norte), Mariama Correa (Nordeste), Marcelo Crispim da Fontoura (Sul) e Dubes Sônego (Sudeste). Interessados podem conferir o levantamento completo neste link.

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