O documentário Porto de Elis tem pré-estreia nesta quinta-feira, 15, às 19h, na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana. O filme tem direção e produção-executiva de Flavia Gazola, roteiro de Renato Del Campão e desenho de som de Ricardo Severo. A produção foi viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo, com recursos provenientes de edital da Prefeitura de Caxias do Sul.
Depois haverá acesso gratuito, a partir do mês de julho, pelo canal do YouTube @medicaltv, reforçando a mensagem de que ‘cultura também é saúde’, segundo a diretora Flavia Gazola. No perfil do documentário no Instagram @clubedoporto2025, é possível acompanhar notícias e trechos inéditos. O filme conta com a participação especial de Valéria Barcellos cantando a música-tema, composta por Ricardo Severo. Em Caxias do Sul a pré-estreia será no dia 21 de maio, no Centro de Cultura Ordovás.
O filme aborda a trajetória do Porto de Elis, espaço localizado no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, que funcionou como teatro-bar entre os anos de 1984 e 1994. O período coincide com o fim do regime militar e com o movimento das Diretas Já.
O documentário reúne depoimentos e imagens que resgatam o cotidiano do local, suas atividades e o público que o frequentava. Também são feitas referências a outros pontos culturais da cidade, como a Rádio Ipanema, a Avenida Osvaldo Aranha e o Bar Ocidente.
Ao longo de sua trajetória, o Porto de Elis recebeu muitas bandas do Rock Gaúcho, quando muitas estavam começando sua trajetória naquele palco. O espaço atraía um público de todas as classes sociais, etnias, gêneros e matizes sexuais, numa atmosfera livre de preconceitos. Greice Gianukas, atriz que apresentou a peça ‘Não quero droga nenhuma’ por lá, destaca: “Não havia preconceitos”. A peça foi um grande sucesso, levando o grupo a se apresentar nas principais cidades do país. Adriana Calcanhoto também iniciou sua trajetória artística no Porto de Elis, afirmando: “Eu fui me inventando com a invenção do Porto de Elis”.
O espaço foi responsável por revelar e promover nomes importantes, como Banda Luni com Marisa Orth, Cássia Eller, Dulce Quental, Fernanda Abreu e Zélia Duncan, além de estrear produções inovadoras como ‘Carrie, a Histérica’, o primeiro besteirol do teatro gaúcho, e o grupo de dança Baletto, que marcou a cena de dança no estado. Ainda na época, Fernanda Chemale realizou sua primeira exposição fotográfica com imagens de rock e do projeto ‘Segunda Sem Lei’, uma iniciativa dos músicos Claudio Calcanhoto e Egisto Dal Santo, que promovia acesso às diversas bandas de rock e tendências culturais.
O documentário também destaca a importância do VHS na democratização da produção audiovisual, além de mostrar como o Porto de Elis foi pioneiro na instalação do Primeiro Circuito Interno de TV em bar. Foi no local que Flavia Gazola produziu, à época, comerciais, shows interativos e vídeos de ficção, ampliando o alcance da cultura na época.
Reconhecido nacionalmente por sua relevância, o Porto de Elis também influenciou a moda, os costumes e o comportamento em Caxias do Sul, com a abertura de uma filial, reunindo diferentes tribos e estilos, conforme relata o colunista João Pulita, do Jornal Pioneiro.

