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Enchentes no RS: Simone Feltes tenta levar sensibilidade para as reportagens da TVE

Repórter da empresa desde 2006, a jornalista conta como ocorre o processo de cobertura da tragédia e a inevitável tristeza que vem acompanhada

Os principais veículos jornalísticos ainda estão realizando a cobertura dos acontecimentos após as enchentes no Vale do Taquari. As reportagens têm como objetivo informar a situação devastadora em que a população se encontra e dar visibilidade para esses moradores que, no momento, precisam muito da ajuda do governo. Com o intuito de entender melhor o trabalho jornalístico realizado pela TVE sobre o evento, a reportagem do Coletiva.net conversou com a repórter Simone Feltes.

A jornalista foi pela primeira vez à região na quarta-feira da semana passada, 6, para visitar a cidade de Lajeado, enquanto outra equipe foi ao Vale do Caí. Desde então, a emissora vem cobrindo uma ou duas cidades por dia. Nesta semana, ela também visitou o município de Muçum. Além de Simone, Dalva Bavaresco e Lisele Félix visitaram as áreas atingidas, mais especificamente as cidades de Roca Sales, Muçum e São Sebastião do Caí, enquanto a repórter Clarissa Lima esteve nas Ilhas do Guaíba.

Reportagem

O time de reportagem do veículo sai de Porto Alegre cedo, entre as 6h e 6h30, devido à distância das cidades afetadas e ao possível trânsito que pode ser enfrentado na viagem. O ‘Redação TVE’ é o programa que traz as atualizações do desastre natural e a sua transmissão ocorre nos dias de semana, às 18h30. Por conta do horário do telejornal, os repórteres devem estar na redação antes das 16h30. 

Repórter da TVE desde 2006, Simone já participou da cobertura de outros ciclones que atingiram o Rio Grande do Sul e revelou que utiliza o tempo do deslocamento para fazer a decupagem do conteúdo gravado. “Assim, já chego com o texto escrito e com as indicações de tempo de entrada e saída das sonoras. Quando possível, envio por email a matéria para o editor revisar. Na chegada, gravo o off e acompanho o início da edição, auxiliando para encontrar imagens ou questões mais específicas”, contou a jornalista.

De acordo com Simone, as matérias especiais do veículo costumam ser longas para dar espaço para mais pessoas e oferecer o tempo necessário para que cada uma conte a sua história. “Procuramos ouvir os prefeitos, os voluntários, as equipes de Defesa Civil, a assistência social e os outros serviços. A cobertura das enchentes tem sempre o aspecto humano e social, prioritariamente, mas também mostra e cobra as ações governamentais no dia a dia da reconstrução, além de discutir impactos econômicos e ambientais.”

Compaixão

Após acompanhar a situação dos moradores em várias cidades do Vale do Taquari, Simone e suas colegas sentiram que essa é a cobertura mais impactante que já viveram. “É um sofrimento coletivo, que está em todos os lados, com proporções imensas”, destacou a jornalista. Ela também falou sobre a relevância da descrição das vivências dos moradores. “A nossa função é relatar a vida cotidiana. Por isso, sempre digo que é muito generoso que as pessoas aceitem contar suas histórias na frente de uma câmera e um microfone. Isso fica ainda mais intenso nesse que pode ser o momento mais crítico e triste da vida de muitos deles.”

A comunicadora falou que tenta ao máximo respeitar suas fontes e, por conta da fragilidade das pessoas nesse momento, é necessário ter cuidado na forma de tratar. “No fazer jornalístico, não é meu costume manter distância. Sou um ‘ser social’. Nesses dias, abracei muitos, chorei com alguns. As histórias são muito pessoais, envolvem perdas imensuráveis, planos e conquistas de uma vida, além de resiliência para recomeçar”, finalizou a repórter.


Na última semana, o Rio Grande do Sul foi atingido por um ciclone extratropical, que resultou em enchentes em diversas localidades. Desde então, a imprensa gaúcha trabalha para levar ao público informações sobre os acontecimentos, além de mobilizar uma corrente do bem para ajudar as famílias afetadas, especialmente no Vale do Taquari. Nesta série especial, Coletiva.net acompanha o trabalho dos jornalistas que mostram ao Estado e ao Brasil a dimensão desta tragédia.

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