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Estudo aponta aumento de prisões e assassinatos de jornalistas em 2022

Dados aparecem no Balanço anual da Repórteres sem Fronteiras (RSF) sobre abusos cometidos contra os profissionais de imprensa

O ano está chegando ao fim com um novo recorde em relação à violência contra os jornalistas no mundo. Conforme o ‘Balanço anual da Repórteres sem Fronteiras (RSF)’ sobre abusos cometidos contra os profissionais de imprensa, 2022 registrou aumento no número de comunicadores presos e assassinados. O documento pode ser conferido neste link.

De acordo com o estudo, 533 jornalistas foram encarcerados, um acréscimo de 13,4% em comparação a 2021. Com relação ao mesmo período, 57 profissionais perderam a vida em decorrência do exercício do jornalismo, o que representa 18,8% a mais. Entre os países, a China foi quem mais aprisionou, somando 110 jornalistas atrás das grades. Mianmar, com 62 presos, e Irã, com 47, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. 

Outro ponto destacado é o aumento de 30% na quantidade de mulheres presas. Só em 2022, 78 jornalistas foram detidas e, atualmente, representam 14,6% do total dos profissionais que estão privados de liberdade. Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, acredita que “esse novo recorde do número de jornalistas detidos confirma a imperiosa e urgente necessidade de resistir a esses governos sem escrúpulos e de exercer a nossa solidariedade ativa com todos aqueles que promovem o ideal de liberdade, independência e pluralismo da informação”.

Na América

As Américas do do Norte, Central e do Sul são os locais mais perigosos para o exercício da profissão, pois 47,4% (27) dos profissionais de imprensa que perderam a vida em 2022 atuavam nesses continentes. Com 20% do total do mundo, o México registrou 11 mortes. No Brasil, três jornalistas foram executados. Dois deles recebem o acompanhamento do Programa Tim Lopes – criado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em 2017. 

Givanildo Oliveira, um dos fundadores do site Pirambu News, assassinado em 7 de fevereiro, em Fortaleza, é o primeiro caso. O outro é o do britânico Dom Phillips, morto em 5 de junho, com o indigenista Bruno Pereira, na Amazônia. Esse, apesar de não ser comunicador, também conta na estatística de acordo com a metodologia do RSF.   

Artur Romeu, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras para América Latina, explica que a organização considera os colaboradores de mídia aqueles que acompanham e apoiam os jornalistas em algumas atividades específicas, como motoristas e produtores. “Até mesmo equipes administrativas entram na classificação se eles forem assassinados em algumas condições particulares, como, por exemplo, se forem vítimas de algum tipo de ataque à redação.”

Organizações exigem jornalismo sem violências

Com o intuito de exigir condições seguras para o exercício do jornalismo na América Latina, sete organizações assinaram um comunicado. São elas: Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), o IFEX-ALC, a Repórteres sem Fronteiras (RSF), a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a rede Voces del Sur (VdS), da qual a Abraji é integrante.

No texto, as entidades lembram que “um atentado contra a imprensa é um atentado contra a democracia, sobretudo em um contexto em que a realização do trabalho de reportagem está sob constante cerco”. Além disso, solicitam que os governos adotem medidas para combater as violações à liberdade de imprensa, para que sejam “garantidas as condições para um exercício livre e seguro do jornalismo”.

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