Recém-chegada de Glasgow, na Escócia, onde acompanhou por duas semanas a COP26, a repórter do Canal Rural Sara Kirchhof conta, com exclusividade ao Coletiva.net, como foi participar do evento. A COP 26 é a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que reuniu quase 200 nações, cerca de 20 jornalistas brasileiros e 11 veículos de Comunicação: Bandeirantes, Canal Rural, CBN, CNN Brasil, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Globo, G1, Valor Econômico e Veja Exame.
O encontro, que tem o objetivo de discutir e acordar ações globais para limitar as alterações no clima e os efeitos sociais e econômicos, terminou na sexta, 12. Sara, que foi acompanhada do diretor de Conteúdo do Canal Rural, Giovani Ferreira, produzia três matérias por dia: “Um pré-gravado para o ‘Planeta Campo’, entrada ao vivo no ‘Mercado e Companhia’ e um vt no jornal da noite, o ‘Rural Notícias’. Tudo isso em um fuso horário de 3h à frente do Brasil”, explicou.
Ela foi a única gaúcha a noticiar a conferência. No entanto, durante o período, conheceu uma conterrânea, assessora de Imprensa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Maria Luiza Abbott, natural de Bagé e que mora em Londres há 22 anos. A reportagem do Coletiva.net tentou conversar com ela, mas não teve retorno até a publicação desta matéria.
Experiente em coberturas internacionais – esta foi a terceira -, Sara conta como foi participar de “um dos eventos mais democráticos do planeta, onde todos têm voz”.
Confira a entrevista abaixo.
Quais os desafios para realizar um trabalho deste porte em meio à pandemia?
Com certeza, os maiores desafios foram por conta da Covid: vacinação completa pra ir, teste de Covid, PCR no Brasil com resultado negativo para poder embarcar e obrigatoriedade de preenchimento de um formulário (exigido pelo Reino Unido), com dezenas de informações, incluindo o número do lote de um outro teste de Covid que você já precisa deixar comprado antes de embarcar e que deve ser feito no segundo dia por lá. O meu, foi entregue no hotel que eu estava e o envio foi feito pelo correio direto da Escócia. Fora isso, teste de Covid todos os dias para poder entrar na COP26 (eles distribuíam este gratuitamente nas farmácias e você mesmo aplicava e publicava o resultado no site. Era obrigatório apresentar o resultado pra entrar no evento todos os dias e andar com o teste na bolsa pra mostrar caso alguém pedisse). Por último, para voltar ao Brasil, mais um teste de PCR com laudo de laboratório e preenchimento do formulário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Protocolos necessários, mas foi cansativo.
Como você enxerga o desfecho da COP26?
Acredito que tenha se obtido um meio-termo nessa COP. Em relação ao mercado de combustíveis fósseis e carvão, houve um avanço inédito. O tema, nunca antes tratado em uma COP, é um dos principais causadores da crise climática do mundo. A habilidade da delegação brasileira, para mim, foi um dos pontos de destaque, assim como o agronegócio que mostrou o que já vem fazendo para contribuir com esse discurso. Nós nos posicionamos, admitimos erros e também soubemos cobrar. Por outro lado, grandes economias deixaram a desejar no que diz respeito ao compromisso de financiamento para países menos desenvolvidos. A cobrança que chega é grande, mas o apoio não está à altura. Outros grandes destaques também ficaram por conta das uniões. China e Estados Unidos, as duas maiores economias do mundo, surpreenderam falando em cooperação para o clima, enquanto o Paraguai se juntou ao time do Brasil, Uruguai e Argentina. A união é fundamental para esses avanços.
Falando profissionalmente, qual foi o momento mais marcante da COP26 para você?
Foi quando eu consegui uma palavrinha com o americano John Kerry após uma reunião a portas fechadas com o governo brasileiro. Ele foi enviado especial dos EUA para o clima. Pedi uma palavrinha sobre a reunião e ele disse “it was a good meeting” (foi um bom encontro). Eu estava com um mic de lapela na mão, ele saindo sem falar com a imprensa, segurança para todos os lados e eu corri atrás dele pedindo ‘uma palavra’. Foi um momento bem legal. Ele é um dos grandes nomes da COP e esteve lá representando a maior economia do mundo.
E o que uma repórter faz em uma cobertura internacional que o público não sabe?
Olha, eu caminhei, em média, 6 km por dia. Foi incrível poder estar lá e acompanhar reuniões do mais alto escalão de diferentes governos na busca por soluções. A COP teve um dia dedicado somente aos jovens e ao ‘empoderamento público’, o que significa que todos têm papel neste debate. Também achei bonito ver a atenção que as pessoas deram aos indígenas, pareciam artistas na COP, todos queriam fotografá-los e conversar com eles.
E uma dica para os jornalistas que sonham em participar de uma cobertura internacional?
Acredito que é muito sobre estar no lugar certo e na hora certa e, quanto mais estivermos preparados e dispostos, mais oportunidades aparecem.

