Porto Alegre já teve 53 jornais de bairro. Hoje, segundo dados da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), apenas cerca de 20 publicações do gênero circulam pelas ruas da capital gaúcha, incluindo os oito cadernos de bairro de Zero Hora. Para o jornalista Elmar Bones, editor do jornal Já Bom Fim/Moinhos – um dos mais antigos em circulação na cidade –, a ausência de políticas públicas de apoio e a “concorrência agressiva” dos grandes grupos de comunicação são alguns dos fatores que contribuíram para essa redução. “Não existem mais políticas de apoio como antigamente. A gestão do prefeito José Fogaça é uma gestão convencional, que destina recursos aos jornais de maior porte. A Zero Hora, em mais uma segunda tentativa, lançou seus encartes de bairro para evitar a concorrência e isso nos prejudicou muito. O Já Bom Fim sobreviveu porque tem 20 anos de história e anunciantes fiéis”, relatou.
Elmar tem uma longa experiência na profissão, tendo sido editor da revista Veja e do Coojornal e diretor durante muitos anos da sucursal da Gazeta Mercantil
Para o jornalista, os jornais de bairro dão voz à comunidade local e atuam como veículos de articulação destas: “E, apesar de todos os esforços, isso é algo que os grandes grupos não conseguem fazer, dar plena atenção a esse “microjornalismo””, disse. Segundo Bones, as gerações atuais não pensam que podem mudar o mundo,mas “acreditam que podem mudar as suas comunidades, aquilo que está próximo delas. E é aí que está o papel do jornal de bairro”.
O futuro dessas publicações também estará em pauta no próximo sábado, 13, às 10h, no Bar da ARI. A discussão sobre a situação atual e a perspectiva dos jornais de bairro na Capital é promovida pela ARI e pela Já Editores. No encontro, que contará com a presença de professores, pesquisadores e jornalistas, será lançada a edição especial comemorativa dos 20 anos do jornal Já Bom Fim/Moinhos.


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