Desde o início deste mês, milhares de roteiristas de Hollywood decidiram cruzar os braços e instaurar uma greve por melhores condições salariais no setor, que, atualmente, enfrenta o impacto do surgimento das plataformas de streaming. Agora, o presidente do júri do 76º Festival de Cinema de Cannes, Ruben Östlund, declarou apoio ao movimento, atitude que foi compartilhada por outros integrantes da mesa.
“Acho ótimo que as pessoas se sintam parte de algo coletivo e façam greve. Sou definitivamente a favor, sigam em frente!”, disse durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 16. Outro jurado a expressar apoio foi o ator e diretor americano Paul Dano, que é casado com a atriz e roteirista Zoe Kazan. “Minha esposa está atualmente protestando com nosso bebê de seis meses, e, quando eu voltar para lá, juntarei-me a ela”, assegurou.
A greve
A paralisação teve início após o fracasso das negociações coletivas do Sindicato de Roteiristas da América (WGA, na sigla em inglês) com os principais estúdios de Hollywood. As demandas para o fim da greve incluem o reajuste do piso salarial dos profissionais, a expansão de proteção para todos os roteiristas de televisão e o aumento no salário residual para os mercados que reutilizam obras já existentes, como reexibições e lançamentos no streaming.
Antigamente, os roteiristas captavam a renda mensal por meio desses residuais. Isso quer dizer que, toda vez que um filme ou série escrito por eles era exibido na TV ou relançado no cinema, eles tinham direito a uma porcentagem dos lucros do estúdio. Porém, atualmente, a falta de regulamentação adequada para os ganhos adquiridos com o streaming tornou isso impossível.
Outras exigências incluem uma maior normatização no uso de inteligência artificial e algoritmos tecnológicos e uma legislação mais detalhada sobre cláusulas de exclusividade nos contratos de roteiristas televisivos. Por fim, eles também solicitam medidas para o combate à discriminação e ao assédio contra a classe.

