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Jornalista da Matinal é vítima de ataques nas redes sociais

Pedro Nakamura passou a receber ofensas após duas reportagens sobre um evento antivacina promovido na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Desde o final de semana, o jornalista Pedro Nakamura, da Matinal Jornalismo, está recebendo diversos ataques nas redes sociais motivados pela publicação de duas reportagens acerca de um evento antivacina promovido pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre na última quinta-feira, 3. Além da própria Matinal, que informou que tomará as medidas cabíveis, entidades representativas da categoria repudiaram o ocorrido e se manifestaram em defesa do profissional.

A primeira matéria, intitulada ‘Câmara sedia evento antivacina organizado por vereadora bolsonarista’, foi publicada no dia seguinte ao seminário, enquanto a reportagem ‘Evento negacionista na Câmara mobilizou movimento antivacina nas redes sociais; vereador pede apuração’ foi ao ar neste domingo, 6. Organizado pela vereadora Fernanda Barth (PL), o seminário reuniu médicos e ativistas ligados ao movimento na Europa e nos Estados Unidos e foi transmitido pela TV Câmara – que já retirou o vídeo do ar. 

Segundo nota emitida pela Matinal, uma das responsáveis pelo que foi definido como “perseguição” on-line é a médica Maria Emilia Gadelha Serra, “que lidera campanhas contra a imunização do HPV e oferece terapias de ‘reversão vacinal’ em sua clínica particular”. “Ela usou o conteúdo do encontro para afirmar, sem evidências, que vacinas de mRNA ‘não foram testadas em pessoas saudáveis, imunocomprometidas, grávidas, crianças e em mistura de vacinas’”, relata.

Ainda de acordo com o veículo, a médica teria publicado em seu perfil no X – antigo Twitter – informações sobre Nakamura “na tentativa de atacar sua credibilidade”. “A jornalista Paula Schmitt, que escreve no Poder360, também atacou o repórter. A partir dessas postagens, seguiram-se novos comentários ofensivos”, expõe o documento.

Reincidência

Em conversa com a reportagem de Coletiva.net, Nakamura revelou que, além do microblog, alguns ataques ocorreram pelo Telegram. Ele ainda salientou que tanto a médica quanto a jornalista adotam esse tipo de comportamento de forma rotineira. “A Maria Gadelha Serra fez um congresso uma vez e expôs a redação inteira de uma agência de checagem, colocando foto e dizendo que eles estavam a serviço de uma agenda globalista”, contou. Em relação à Paula, o repórter afirmou que em um post de 2021 ela já havia dito que daria a ele “chutes no rosto”.

Esta não é a primeira vez que Nakamura sofre ataques daquilo que chamou de “gabinete do ódio”. “A partir de 2021, por conta de uma matéria sobre experimentos com proxalutamida, passei a ser perseguido por um grupo que, na época, era pró-tratamento precoce. De lá para cá, essa mesma laia virou antivacina”, contextualizou.

Para ele, é como se tudo se repetisse, porém, por estar em um momento “psicologicamente mais frágil”, a sensação é pior. “Cometi a bobagem de responder às primeiras provocações que chegaram, só que isso piorou a situação e fez os ataques se multiplicarem, então também estou me sentindo culpado”, relatou. Outro ponto de incômodo ao profissional foi o uso de um trainee realizado por ele no Estadão para motivar mais ataques. Ainda assim, o apoio dos colegas e o posicionamento das entidades trouxeram alívio. “É muito importante não se sentir sozinho nessas horas”, afirmou.

Confira as manifestações na íntegra:

Matinal:

O jornalista Pedro Nakamura está sendo atacado nas redes sociais depois de ter publicado, na Matinal, duas reportagens sobre um evento antivacina promovido na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O seminário reuniu, no dia 3 de agosto, médicos e ativistas ligados ao movimento antivacina na Europa e nos Estados Unidos. Organizado pela vereadora bolsonarista Fernanda Barth (PL), o evento foi transmitido pela TV Câmara, que depois retirou o vídeo do ar.

Uma das responsáveis pela perseguição online ao repórter é a médica ozonioterapeuta Maria Emilia Gadelha Serra, que lidera campanhas contra a imunização do HPV e oferece terapias de “reversão vacinal” em sua clínica particular. Ela usou o conteúdo do encontro para afirmar, sem evidências, que vacinas de mRNA “não foram testadas em pessoas saudáveis, imunocomprometidas, grávidas, crianças e em mistura de vacinas”.

Depois, em seu perfil no X (antigo Twitter), publicou informações sobre Nakamura na tentativa de atacar sua credibilidade. A jornalista Paula Schmitt, que escreve no Poder360, também atacou o repórter. A partir dessas postagens, seguiram-se novos comentários ofensivos.

A Matinal repudia os ataques e xingamentos direcionados a Nakamura e informa que já está tomando providências cabíveis.

Ajor:

O repórter Pedro Nakamura, do Matinal Jornalismo, foi vítima de uma série de ataques virtuais após a publicação de reportagem sobre evento promovido na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. 

Publicada em 04 de agosto, a matéria “Câmara sedia evento antivacina organizado por vereadora bolsonarista” investiga que médicos e ativistas ligados ao movimento antivacina na Europa e nos Estados Unidos participaram de um seminário organizado pela vereadora Fernanda Barth (PL-RS) no dia 3 de agosto. O evento foi transmitido pela TV Câmara e divulgado por Barth como uma reunião pública “em defesa da autonomia médica”. 

Ao longo do evento, foram exibidos vídeos de supostas vítimas da vacina da covid-19. Além disso, Barth fez perguntas que questionavam a segurança de imunizantes. Ao Matinal, a parlamentar negou o caráter antivacina do seminário. Após a publicação da reportagem, Nakamura passou a receber, via redes sociais, xingamentos de apoiadores do evento que questionavam sua credibilidade jornalística.

Em 2021, durante a pandemia, o jornalista também foi alvo de alvo de ameaças e hostilidades após a publicação de reportagem sobre estudos clínicos realizados com medicamentos sem autorização da Anvisa.

Em nota, o Matinal condenou os ataques ao repórter e afirmou que já está tomando providências cabíveis. 

A Ajor (Associação de Jornalismo Digital) repudia a ofensiva contra Pedro Nakamura e o Matinal Jornalismo e reforça seu posicionamento a favor do livre exercício profissional de suas associadas. O assédio virtual contra jornalistas não pode ser normalizado e deve ser combatido ativamente. 

Fenaj e Sindjors:

O Sindjors e a Fenaj entendem que todo o cidadão tem o direito de livre manifestação. Porém, não se pode admitir que jornalistas que atuam para melhor esclarecer e informar a população se tornem alvos de qualquer grau de intimidação, violência ou do cerceamento ao seu trabalho.

A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são pilares da democracia e o papel dos jornalistas é fundamental para a garantia do Estado Democrático de Direito. É necessário apoio incondicional aos e às profissionais da comunicação, como ao jornalista Pedro Nakamura, para que eles e elas possam cumprir sua função de informar à sociedade, sem correr o risco de serem agredidos verbal, física ou moralmente.

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