Os jornalistas de uma emissora pública precisam dar voz à sociedade, servir como foco de resistência cultural, contribuir para a reorganização do caos e manter uma atitude de “terroristas homeopáticos”, na tentativa de valorizar as práticas cotidianas que ajudam a construir o sentido do mundo. A opinião é de Cremilda Medina, professora da USP, na reunião que teve no final de semana com os funcionários da TVE/RS para debater o jornalismo produzido nas emissoras públicas. Durante mais de duas horas, Cremilda, que é doutora em comunicação e coordenadora do Núcleo de Comunicação Social da USP, respondeu a questionamentos dos trabalhadores. Em certo momento, ela definiu os jornalistas como os “narradores do presente” e afirmou que a especialidade dos repórteres é narrar o mundo, sem ter a arrogância de querer julgá-lo ou explicá-lo. Para ela, a sociedade está aprendendo com dificuldades a se fazer ouvir e esta atenção à “respiração social” é uma obrigação das emissoras públicas.

