No último sábado, durante a realização do 31º Congresso Estadual dos Jornalistas, profissionais atuantes no Correio do Povo distribuíram panfletos com denúncias contra o Sindicato dos Jornalistas no Rio Grande do Sul. No documento, eles acusam a entidade de agir contra os seus interesses, tendo solicitado à Delegacia do Trabalho uma fiscalização na redação do jornal, sem consultar os jornalistas da casa. O Sindicato vinha solicitando fiscalização no Correio do Povo desde o início de 2003, por ter informações de que os seus funcionários estariam trabalhando até dez horas diárias sem receber horas-extras, apenas a possibilidade de folgas e flexibilidade no horário de trabalho. Em dezembro, o caso foi confirmado e levado ao Ministério Público do Trabalho, que ordenou que o jornal respeitasse a legislação, não permitindo que os jornalistas trabalhassem além de cinco horas. Os profissionais que se beneficiavam da flexibilidade no horário não gostaram da decisão e acreditam que faltou ética no sindicato. “A mudança no horário está transtornando nossa vida profissional e pessoal e diz respeito à falta de ética por parte do nosso sindicato”, diz a jornalista Jurema Josefa.
O presidente do sindicato, José Carlos Torves, afirma que a atitude da entidade não poderia ser diferente: “O sindicato existe para defender o interesse dos jornalistas e não dos veículos. Quem ganha com o não-pagamento de horas-extras é apenas o Correio do Povo. Se precisam de mais horas trabalhadas, que contratem mais profissionais, mas agir contra a lei eles não podem”. Torves garante ainda que o movimento contra o sindicato é integrado por cerca de 50% dos jornalistas da casa e que a outra metade está muito satisfeita com a possibilidade de cumprir seu horário e ir embora.

