Na tarde deste domingo, 8, o Palácio do Planalto e os prédios do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional foram invadidos e depredados por apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL). Em meio aos atos antidemocráticos, 12 profissionais de imprensa relataram agressões, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF).
Os relatos de violência são diversos e incluem agressões físicas, ameaças e roubos. Uma fotógrafa do portal Metrópoles foi derrubada e espancada por 10 homens e teve equipamentos roubados. Um repórter do jornal O Tempo também foi agredido e teve duas armas de fogo apontadas para si. Algo parecido ocorreu com uma jornalista da rádio Jovem Pan, que foi xingada e seguida por um homem que também apontou uma arma para ela.
Outros relatos dão conta da destruição de equipamentos, como o acontecido com um profissional da Band TV, que teve o celular danificado, além de uma repórter que trabalhava para o Washington Post, que teve seus óculos quebrados. Colaboradores da Agência France Press e da Folha de São Paulo foram roubados e ficaram sem aparelhos de trabalho e telefônicos.
O sindicato, em conjunto com a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), emitiu um comunicado repudiando os episódios. Além disso, as entidades se colocaram à disposição da categoria para “as medidas jurídicas cabíveis e lembram às empresas que a continuidade da cobertura exige condições mínimas de segurança”. Entre o domingo,8, e esta segunda-feira, 9, diversas organizações representativas condenaram as manifestações de cunho golpistas ocorridas na Capital Federal.
Leia a íntegra da nota do SJPDF e da Fenaj:
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e a Federação Nacional de Jornalistas manifestam seu mais profundo repúdio aos atos golpistas e terroristas ocorridos neste domingo na Esplanada dos Ministérios e à violência contra profissionais da imprensa, impedidos de realizar seu trabalho com segurança. Ao mesmo tempo, o Sindicato e a Fenaj se solidarizam com os e as colegas feridos/das durante o exercício da profissão. Já temos informação de ao menos doze colegas atacados, de diferentes veículos (veja o fim da nota).
Todos os acontecimentos em curso são resultado da inoperância do Governo do Distrito Federal, de setores da segurança pública e Forças Armadas, que permitiram a escalada da violência e se mostraram coniventes com os grupos bolsonaristas, golpistas, que não respeitam o resultado das eleições, a Constituição e a democracia.
Lembramos que, por diversas vezes, o Sindicato cobrou das empresas e da SSP/DF medidas cabíveis para garantir a segurança das trabalhadoras e dos trabalhadores da imprensa. No entanto, as agressões de hoje demonstram que, mais uma vez, isso não ocorreu.
Solicitamos que entrem em contato com a entidade e procurem a polícia civil para registro de Boletim de Ocorrência.
O Sindicato e a Fenaj estão à disposição da categoria para as medidas jurídicas cabíveis e lembram às empresas de que a continuidade da cobertura exige condições mínimas de segurança e que é de responsabilidade das mesmas garanti-la.
Recebemos, no Sindicato dos Jornalistas do DF, relatos de pelo menos 12 profissionais da imprensa agredidos nos atos terroristas deste domingo:
- Um repórter do jornal O Tempo foi agredido por criminosos que chegaram a apontar duas armas de fogo para ele, dentro do Congresso Nacional.
- Uma repórter da Rádio Jovem Pan foi xingada e seguida enquanto deixava a região da Esplanada dos Ministérios. Um homem tentou abrir a porta do carro da jornalista e apontou uma arma para ela.
- Um repórter da TV Band teve o celular destruído enquanto filmava o ato. Ele me disse que não foi agredido.
- Uma repórter fotográfica do Metrópoles foi derrubada e espancada por 10 homens. Ela teve o equipamento danificado.
- Um rpórter da Agência France Presse teve o equipamento (incluindo o celular) roubado e foi sido agredido.
- Um repórter fotográfico da Folha teve o equipamento roubado.
- Um repórter fotográfico da Agência Reuters teve o material de trabalho e o celular roubados.
- Um repórter da Agência Brasil teve o crachá puxado pelas costas, enquanto registrava a destruição. Ele ficou com escoriações no pescoço.
- Uma jornalista e veterana analista política que costuma colaborar para o portal Brasil 247 foi ameaçada pelos terroristas e teve de apagar os registros feitos no celular.
- A reportagem do jornal O Globo testemunhou uma repórter da revista New Yorker ser agredida com chutes e derrubada no chão. O repórter de O Globo recorreu aos seguranças do Ministério da Defesa, que ajudaram a jornalista.
- Uma repórter trabalhando para o Washington Post publicou mais um relato de violência. Ela foi agredida fisicamente, além de bolsonaristas terem quebrado seus óculos e tentado levar seu celular.
- Um repórter fotográfico do Poder360 foi agredido e tentaram levar seu equipamento.

