Gaúcho de Santana do Livramento, Severino Jorge Caldas de Araújo Goes faleceu nesta segunda-feira, 22, vítima de um infarto fulminante. Aos 70 anos, há um ano e meio o jornalista atuava como repórter na revista Consultor Jurídico (ConJur), em Brasília. Seu corpo foi velado na tarde de ontem, 24, na capital federal, na presença de familiares, amigos e colegas. Ele deixa as filhas gêmeas Amanda e Joana e o filho Gabriel.
Gremista, Severino era fã de Érico Veríssimo e filmes noir e, apesar da origem na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, foi criado na região central do Estado, em Santa Maria. Na sua trajetória profissional, passou pelas redações dos jornais O Globo – onde fez parte da equipe da coluna de Miriam Leitão -, Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil. Foi, ainda, diretor da sucursal do Estadão e da Gazeta Mercantil.
Luta contra o trabalho escravo
Em depoimento à ConJur, a jornalista Miriam Leitão conta como Severino abriu seus olhos para que tivesse uma atuação mais forte contra o trabalho escravo no Brasil. “Estava prestando atenção no assunto, mas não tão mobilizada jornalisticamente pela pauta. Tinha outras causas em que estava envolvida. Ele me mostrou dados, relatórios do Ministério do Trabalho e me convenceu, vi que estava deixando de cuidar de um assunto importante”, relembra.
O profissional também foi oficial de Comunicação e Informação Pública da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil por 10 anos, onde trabalhou ao lado de Patrícia Audi. Segundo a colega, “o trabalho do Severino foi fundamental para que pudéssemos falar sobre o trabalho escravo e mostrar para a sociedade que o crime existia”. “Foi uma peça fundamental porque nos ajudou com a divulgação das informações corretas e fez com que o tema fosse conhecido pela imprensa”, salienta.
O jornalista Bartolomeu Rodrigues, atual secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, lamenta a perda do amigo e destaca a contribuição de Severino para o jornalismo brasileiro: “Severino Goes faz parte de uma geração de jornalistas que testemunharam a transição democrática e as mudanças tecnológicas que marcaram profundamente os meios de Comunicação. Foi um verdadeiro mestre, e nos deixa em plena forma no exercício de uma profissão que amava”, pontua.
No centro do poder nacional
Em 2015, o gaúcho assumiu a assessoria de imprensa da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), ao lado de Viviane Dias. “Conheci não apenas o jornalista, com a inquietude característica dos bons profissionais que amam o que fazem, mas também um fiel amigo, pai orgulhoso, ávido leitor, cinéfilo, crítico social e contundente, sempre atualizado e preocupado com o que acontecia ao redor do seu País”, lembra a colega.
Severino fez parte da equipe de Comunicação do Palácio do Planalto no governo do ex-presidente Michel Temer. Além disso, integrou a Assessoria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF), órgão sobre o qual escrevia para a ConJur. A corte chegou a divulgar uma nota, lamentando a morte do jornalista e destacando sua trajetória. “Que amigos e familiares encontrem consolo nas lembranças felizes que viveram ao lado de Severino e que Deus conforte seus corações”, enuncia o texto.

