A reforma tributária está trazendo mudanças no mercado da Comunicação. Para preparar as empresas gaúchas para isso, o presidente da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), Daniel Queiroz, esteve em Porto Alegre na ‘Semana ARP 2025’ falando sobre as transformações e os desafios das agências. Em exclusiva com a equipe de reportagem do Coletiva.net, ele comentou sobre as principais mudanças previstas, o que poderá influenciar em custos operacionais e quais áreas devem sentir os impactos.
O presidente afirmou que os impactos serão sentidos de forma muito parecida em todos os estados brasileiros. Dentro das alterações na reforma tributária e o que pode ser alterado no cenário atual de tributação de agências, Daniel comentou sobre o aumento da carga para serviços. Um setor que historicamente era tributado com alíquotas menores, a exemplo do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), podendo chegar a 8,65%, passará a ser tributado com uma alíquota estimada em torno de 27,5%.
Influência em custos operacionais
Outro ponto de atenção está na redução na margem de lucro no caso de não haver reajuste contratual para acomodar o aumento da tributação. A reforma tributária pode aumentar significativamente os custos operacionais dos setores de Publicidade, Audiovisual, Eventos, Design e Marketing Digital, pois esses negócios dependem principalmente de mão de obra, que não gera crédito tributário no novo sistema. Como cerca de 80% dos gastos dessas empresas são com pessoal, elas terão pouco a descontar e acabarão pagando a alíquota cheia sobre quase toda a receita.
Quanto ao impacto no fluxo de caixa, será implementado o novo sistema de split payment, o que fará com que o imposto seja automaticamente retido no momento do pagamento, impedindo que esse valor passe pelo caixa da empresa e reduzindo o capital de giro. Somado a isso, a partir de 2026, a tributação de dividendos acima de R$50 mil mensais em 10% tornará mais caro distribuir lucros para sócios e investidores.
Áreas que sentirão o impacto
“Embora o documento foque em agências de Propaganda, a lógica econômica apresentada afeta toda a cadeia de serviços criativos que opera sob modelos de negócios similares”, mencionou o entrevistado. As agências de Publicidade, Marketing Digital e Design serão diretamente impactadas pelo aumento da alíquota e pela dificuldade de gerar créditos, já que o principal insumo é o capital intelectual (pessoas), que não gera crédito fiscal.
No caso das produtoras de Audiovisual e Eventos será assim como as agências, se essas empresas tiverem uma alta dependência de mão de obra Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou contratarem Microempreendedor Individual (MEIs), que não geram crédito para o contratante, sofrerão aumento de custo. Já as empresas no Simples Nacional, ou seja, pequenos estúdios e agências, enfrentam um dilema de competitividade. Se permanecerem no Simples, não geram crédito integral para os clientes grandes. Isso pode levar os clientes a exigirem descontos ou migração de regime tributário, pressionando as margens dessas empresas menores.
Preparação para as mudanças
O Sistema Nacional das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul (Sinapro) e a Fenapro fornecerão ferramentas de apoio e treinamentos para que as agências possam se antecipar e não deixar nas mãos do mercado a decisão sobre o negócio. Na cartilha e no dispositivo de simulação, serão disponibilizadas instruções e ferramentas de simulação para que os líderes possam exercitar a projeção de custos e rentabilidade em cenários diversos do seu negócio à luz das regras atuais e das novas que serão implementadas. A ferramenta demonstra que o impacto é diferente em cada negócio e para cada cliente. O intuito será de alertar que não existe uma fórmula de bolo, que a agência precisa dominar os próprios dados.

