O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Rio Grande do Sul comemora a assinatura do projeto para a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da entidade, José Carlos Torves, lamenta que a grande imprensa esteja atacando o projeto: “A cobertura está sendo muito parcial, apenas o contra é ouvido. Assim, a sociedade não chegará a uma conclusão precisa sobre o que é o conselho”. Ele acredita que essas grandes empresas de comunicação estejam rejeitando o CFJ porque não querem que a população tenha um instrumento que regule a mídia. “O tratamento que vem sendo dado para o conselho é distorcido. Ele não é uma criação do Governo Federal, mas sim da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), e não tem por objetivo nenhum tipo de censura”, diz Torves. O projeto, criado há 20 anos, já havia sido encaminhado para o presidente Fernando Henrique Cardoso, que o devolvera ao Congresso. Em 2002 foi encaminhado novamente, e desta vez, Lula assinou o projeto, que tem o intuito de regular a profissão de jornalista “e não de cerceá-la”, enfatiza Torves.
Segundo Torves, a taxa de desemprego de jornalistas na Grande Porto Alegre é de 20%, oito pontos a mais que a média geral. Ele explica que isso ocorre porque há muitas pessoas exercendo ilegalmente o jornalismo, que é uma profissão técnica e que exige formação acadêmica. O conselho também poderá avaliar a qualidade do trabalho que vem sendo executado, como ocorre com qualquer outra profissão. “Dizem que isso não pode ser feito em jornalismo, pois é uma questão subjetiva. Direito e psicologia também são subjetivos, mas seus profissionais se submetem a conselhos, para garantir o bom desempenho de seus ofícios”, compara.

