
As perspectivas econômicas para 2023 pautaram a última edição do ano do Coletiva Debates, agora conhecido como Coletiva.debates. Mediados pelo diretor Comercial de Coletiva.net, Iraguassu Farias, a cientista social e política Elis Radmann e o economista Ely Mattos conversaram por pouco mais de uma hora sobre o tema. Com o apoio da Vero e auxílio técnico da Critério, a conversa foi transmitida pelo Facebook na última segunda-feira, 19.
Após uma breve apresentação, os convidados foram provocados sobre quais mudanças são esperadas para o próximo ano com a troca no governo federal. Para Elis, que falou sobre a ótica do eleitor, nas últimas eleições, o debate político foi centrado pela economia, diferente de 2018, quando o discurso moralista e sobre Segurança Pública foi destacado. Já Ely projetou 2023 como “desafiador” para o cenário da economia, uma vez que pela sua avaliação, este será um ano “normal”, pois as alternativas que fizeram o setor reagir em 2022, foram estancadas.
O debate ainda foi tensionado pelas condições de consumo da população. Segundo Elis, esta é uma das esperanças de parte do eleitorado, que votou em Lula (PT) esperando voltar a um contexto de ascensão da classe média. Ela também elenca a expectativa por subsídios governamentais para tal e por uma política de qualificação profissional.
Também foi discutido o Teto de Gastos, que prevê um limite do aumento de gastos para o governo atrelado à subida da inflação. Parte desse debate é em relação à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Transição, que pede a retirada das verbas para programas de transferência de renda dessa conta. Ely, que defende a necessidade de um regramento fiscal, também entende ser importante que a PEC seja aprovada. Apesar disso, ele vê problemas na forma com que a regra atualmente é aplicada. “É muito sujeita à lobby político”, disse, lembrando que é o Congresso responsável pela sua aplicação.
Rio Grande do Sul
Ainda esteve no centro das discussões, o contexto econômico do Rio Grande do Sul (RS) para o próximo ano. Pela avaliação da cientista social e política, o papel do vice-presidente Geraldo Alckmin será vantajoso para o Estado, já que a proximidade dele com o governador Eduardo Leite facilitará possíveis negociações. “A tendência é que 2023 seja melhor e que, inclusive, a gente consiga ver alguns movimentos de investimentos, principalmente na Infraestrutura e na Educação”, opinou Elis.
Para Ely, o principal problema do Estado está na Educação, o que pode pautar o debate político no próximo ano. Ele traz à tona a última pesquisa do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do RS (Saers), que mostra que alunos formados no Ensino Médio têm nível de compreensão matemática equiparável a estudantes do sétimo ano do Ensino Fundamental. “Não tem como pensar em igualdade de oportunidades e capacitação técnica”, comentou sobre o momento educacional.
Assista o Coletiva Debates:

