‘A Publicidade aceita crítica?’. Esse é o tema da pesquisa desenvolvida pelo publicitário gaúcho Lucas Schuch. Elaborado como parte do trabalho acadêmico de doutorado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o estudo, que ouviu 825 profissionais, mostra que o setor não é considerado como seguro para uma avaliação negativa. Um dos destaques apresentados pelo pesquisador consiste em que mais de 85% das pessoas já sentiram medo de postar algo em suas redes sociais por medo de retaliação.
Por este temor é que somente 26% dos respondentes afirmaram já ter tomado alguma iniciativa frente aos problemas da Publicidade. Questões como assédio e falta de representatividade são os maiores mobilizadores coletivos destas ações. O levantamento aponta também que apenas 47,3% dos entrevistados têm confiança para comentar sobre o próprio ambiente de trabalho. Para tanto, os locais preferidos para debater os problemas da área são os grupos virtuais fechados (42,4%) e conversas em ambientes externos (32,7%).
“Complexa e delicada esta questão, porque no geral, por mais que as atitudes sejam incentivadas abertamente, a retaliação por trás existe e é velada. Então, mesmo que uma pessoa queira tomar uma iniciativa, sempre acaba existindo um medo que prevalece”, respondeu um dos participantes. Desta forma, os profissionais se sentem mais confortáveis em tecer críticas para a indústria de forma ampla, do que a seu local de trabalho.
Além disso, os homens brancos e héteros se sentem 10% mais seguros para expressar esta opinião do que todos os outros grupos minorizados. Para o publicitário, é necessário abrir espaço para debates internos para que o setor evolua. “Não vamos ver as mudanças necessárias com pensamentos convergentes. É a crítica que leva à transformação, mas estamos diante de um mercado que não aceita bem esses assuntos. Então, é um pouco contraproducente”, defende.
Esses debates, no entanto, não devem se restringir às agências. “Enquanto as marcas não forem mais vocais sobre os problemas que elas financiam dentro das agências, o problema será bem maior. Essas instituições precisam ser mais vocais sobre essas questões”, completa o profissional, que defende que para romper com esse ciclo e, de fato, criar espaços melhores para todos os integrantes do mercado, deve haver a união entre os diferentes cargos.

