A crise que atinge o mercado da comunicação afetou também o Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), que gerencia o Observatório da Imprensa nas versões digital, televisiva e radiofônica. A redução no número de patrocinadores fez com que fosse necessária uma reestruturação interna, segundo revelou o Portal dos Jornalistas. A diretoria da instituição anunciou que as mudanças não irão afetar os projetos, e que servirão para aprimorar os processos de gestão, a governança e a própria estrutura da instituição dentro dessa nova realidade.
Segundo a diretora do Projor, Angela Pimenta, não haverá demissões em massa, mas sim que “as medidas mais drásticas serão temporárias”. Ela comenta ainda que, para compensar estas mudanças, a instituição passa a contar com outros profissionais, como Matinas Suzuki, que integra o Conselho Fiscal; Ana Toni, que passou por entidades como Fundação Ford e Greenpeace e prestará apoio à reestruturação; e o professor da Unesp Francisco Belda, que atua na direção da instituição e nos projetos editoriais.
“Vamos manter praticamente intacta a equipe deixada e recomendada pelo Luiz Egypto e mesmo quem está saindo seguirá com as portas abertas no Projor. Queremos manter a saga de ser um observatório pluralista, relevante e que continue a fazer a crítica da mídia de forma civilizada, sem sectarismo, buscando audiência, mas sem perder a densidade”, afirmou Angela ao Portal dos Jornalistas.
Nesta terça-feira, 30, o Observatório de Imprensa (OI) argumentou em seu editorial: “Faltando pouco para completar 20 anos de existência, estamos vivendo as mudanças que o tempo e as inovações tecnológicas nos impõem. Não somos os únicos, nem os primeiros e muito menos os últimos projetos jornalísticos a enfrentar esse desafio. As bases materiais e humanas que animaram a nossa proposta sofreram mudanças, algumas delas radicais, ao longo das últimas duas décadas. Conjunturalmente, fomos também atingidos nos meses mais recentes pela crise econômica que o País inteiro enfrenta. Vários parceiros tiveram de atrasar pagamentos ao OI, outros foram obrigados a desistir de antigos vínculos de cooperação”.
Mauro Malina deixa oficialmente a cúpula do Projor e do Observatório. Luiz Egypto, redator-chefe há 16 anos do site, também deixará o veículo. Seu posto será assumido por Carlos Castilho. Luciano Martins Costa, titular da versão radiofônica do OI, transmitida por emissoras de várias regiões, sai do ar por tempo indeterminado, mas tem convite para continuar com o programa em versão semanal e também por meio de podcast.

