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Racismo no rádio é tema de encontro promovido pela Ufrgs

Evento é organizado pelo Núcleo de Estudos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

O Núcleo de Estudos de Rádio (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufgrs) promove o ‘1º NER Pergunta – O rádio é racista?’. O evento, que será on-line e gratuito, acontecerá em 19 de novembro, às 19h. A mediação é de Valesca Silva de Deus, vice-líder do grupo de pesquisa e doutoranda em Comunicação na Ufrgs. Participam como palestrantes: Antônio Carlos Côrtes, advogado, escritor, militante e psicanalista; Denise Cruz, jornalista do Grupo RBS; e Renê Almeida, repórter da Agência Radioweb.

De acordo com Antônio Carlos Côrtes, militante e um dos criadores do Dia da Consciência Negra, o racismo no rádio pode se manifestar de várias formas. “Negros radialistas são os primeiros a serem demitidos e os últimos a serem admitidos. Comunicadores desconhecem que preto é cor e negro é etnia”, disse.

Denise Cruz acredita que o rádio acaba reproduzindo valores da sociedade em geral. “O racismo está presente no rádio assim como está em todas as áreas profissionais. Difícil conceber que, em 2024, ainda tenhamos poucos, raros, negros nas redações e menos ainda atuando ao microfone. Certamente, não é por falta de talento, mas sim de oportunidade”, coloca.

Conforme o professor Luiz Artur Ferraretto, líder do setor, o evento é o primeiro de uma série que pretende provocar um debate sobre o preconceito dentro do rádio. Para o comunicador, por ser um meio abrangente e popular, se o veículo parar para pensar os diversos preconceitos, a capilaridade dentro da sociedade ajudará a ampliar a consciência sobre a diversidade humana. “Dentro do que um grupo de pesquisa pode fazer, o Núcleo de Estudos de Rádio da Ufrgs quer ajudar nesse processo”, afirma.

A pesquisadora de temáticas étnico-raciais Valesca Silva de Deus observa que o rádio constitui-se, historicamente, em um ambiente predominantemente masculino e branco. Para a comunicadora, é urgente provocar uma reflexão sobre a presença de pessoas negras e pardas como profissionais e como fontes no meio. “Se a situação já é ruim em relação aos negros em geral, torna-se pior ainda com as mulheres, que enfrentam, além do rascismo, o machismo”, disse.

Segundo a pesquisadora, a representação negra nos meios de Comunicação ainda é muito desigual. Embora muitas pesquisas abordem o mercado de trabalho em geral, poucas consideram o rádio como um espaço de remuneração e sustento. “Diversos dados focam na representatividade na televisão, Publicidade, Jornais, revistas ou redes sociais, mas não incluem a discussão sobre o gênero e raça no rádio”, complementa.

Renê Almeida acredita que o rádio reproduz a lógica do mercado do Jornalismo como um todo, no qual a minoria dos profissionais é negra. “Nas pautas presenciais de que participo, poucas vezes vejo repórteres negros. Há espaço para mais reportagens e, principalmente, para profissionais e programas voltados à cultura negra.”

Interessados podem realizar as inscrições por meio deste link, além de certificados. O encontro conta com a organização e o apoio do doutorando Lucas Rodrigues Piovesan e do estudante de Jornalismo Breno Touguinha Bauer.

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