A TV Record do Rio de Janeiro ficou fora do ar por 22 minutos, ontem à noite, por determinação da Justiça Eleitoral. O juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira (TRE-RJ) entendeu, atendendo a uma representação do PT, que o programa “Repórter Record”, exibido pela emissora sobre o projeto Fazenda Nova Canaã, favorecia o candidato do PL a prefeito do Rio, Marcelo Crivella. A Record é ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, da qual o pastor Crivella, sobrinho de Edir Macedo, dono da emissora, é um dos principais líderes. O juiz inicialmente determinou à Record que não veiculasse o programa, mas o oficial de Justiça não foi atendido por ninguém. “Então, determinei que fosse para o Sumaré, onde ficam as torres de transmissão, para que a decisão fosse cumprida lá, porque, caso contrário, o programa iria todo ao ar e a decisão judicial seria inócua”, explicou o juiz.
Pereira acrescentou que mandou suspender o programa porque era propaganda subliminar do candidato Crivella, que faz toda a sua campanha eleitoral citando a fazenda, que era enaltecida pelo programa, sem qualquer denúncia ou crítica. Disse ainda que encaminhará ao Ministério Público o relato do oficial de Justiça sobre o que aconteceu e que os procuradores vão preparar a ação para que outro juiz arbitre a multa. A TV Record havia anunciado o programa durante todo o dia de ontem. Mesmo com a decisão da Justiça, o programa ainda foi exibido por 36 minutos até ser tirado do ar. A emissora só pôde voltar a exibir sua programação depois que a exaltação à Nova Canaã deixou de ser exibida nos outros estados.

